O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 08/10/2021
“É possível fazer educação de qualidade sem escola” diz Tião Rocha, educador, antropólogo e uma das principais referências contemporâneas em ensino e cultura popular no Brasil. Para ele, uma boa educação se faz com bons educadores e o modelo escolar tradicional brasileiro é arcaico, aprisiona o professor, o aluno e há décadas dá sinais de falência. Se a educação transforma indivíduos em cidadãos e os cidadãos transformam a sociedade, de acordo com Paulo Freire, então urge o Brasil enfrentar os principais desafios para essa transformação: a falta de valorização do professor como peça chave no processo educativo e a falta de valorização do aluno nas suas individualidades e ansiedades.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que ainda está muito arraigado no âmbito da sociedade e dos dirigentes , que o aprendizado se faz com investimento em material didático – sejam livros ou tablets e em espaços físicos, deixando esquecido a figura mais importante que é a do professor. Quando este tem dificuldade em ver sua motivação para com a docência se concretizar na prática, o que tem a ver com uma estrutura de formação e de apoio frágil, com condições de trabalho não adequadas e remuneração salarial baixa, isso se reflete em uma insatisfação de mais de 80 % dos profissionais, conforme pesquisa atual da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Em segundo lugar, a educação deveria enxergar cada indivíduo com as suas potencialidades e aptidões individuais, com a inclusão e valorização não só dos alunos com facilidades em matemática, português ou ciências, mas também, em expressões artísticas como música, dança, esporte, entre outras. Com isso, os alunos, principalmente os jovens, pela curiosidade, pelo desejo participativo e pela valorização da sua autoestima, teriam mais interesse pelos estudos, pois de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostras Domiciliares de 2019, a falta de interesse destes é apontada por quase 30% da evasão escolar.
Então, torna-se clara a necessidade de uma mudança radical nos padrões do sistema educacional brasileiro. Para tanto, o Governo Federal no papel do Ministério da Educação e Cultura, junto às parcerias com instituições privadas, devem fomentar a valorização do ensino por meio do investimento no material humano, nos professores, com aumento de salários, planos de carreira e benefícios no setor da saúde, da qualificação, da cultura, do lazer e nos alunos, dando-lhes atenção especial e individual, sem deixar ninguém para trás. Quem sabe no futuro, termos um Ministério mais que só da “Educação”, mas do “Conhecimento”, como preconiza Tião Rocha.