O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 10/10/2021

“É possível fazer educação de qualidade sem escola” diz Tião Rocha, educador e uma das principais referências  em ensino no Brasil. Para ele, uma boa educação se faz com bons educadores e o modelo escolar tradicional brasileiro é arcaico e há décadas dá sinais de falência. Se a educação transforma indivíduos em cidadãos e os cidadãos transformam a sociedade, de acordo com Paulo Freire, então urge o Brasil enfrentar os principais desafios para essa transformação: a falta de valorização do professor como peça chave no processo educativo e a falta de valorização do aluno nas suas individualidades.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que ainda está muito forte no âmbito da sociedade e dos dirigentes, a ideia que o aprendizado se faz com investimento em material didático e em espaços físicos, deixando esquecido a figura do mestre. Ademais, quando este tem dificuldade em ver a sua motivação para com a docência se concretizar na prática, o que tem a ver com condições de trabalho  inadequadas e remuneração salarial baixa, isso se reflete em uma insatisfação, que conforme pesquisa atual da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico chega a mais de 80%. Ao contrário disso, temos o exemplo do Japão, em que o professor é o único profissional que tem permissão para não se curvar diante do imperador, porque segundo os japoneses, numa terra em que não há professores não pode haver imperadores. Portanto, o Brasil só terá uma educação de qualidade, a exemplo dos países de primeiro mundo, quando se der o seu devido valor.

Em segundo lugar, um grande problema é desconsiderar tudo com que a criança chega à escola, como que antes dela não houvesse nada, segundo Paulo Freire. Portanto, a educação deveria enxergar cada indivíduo com as suas potencialidades, com a valorização não só das facilidades em matemática, português ou ciências, mas também, em expressões artísticas como música, dança, esporte, entre outras. Com isso, os alunos principalmente os jovens, pela curiosidade e pela sua autoestima valorizada, teriam mais prazer pelos estudos e diminuiriam os índices de evasão escolar brasileira, que segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostras Domiciliares de 2019, chega a quase 30% por essa falta de interesse. Então, torna-se clara a necessidade de uma mudança radical nos moldes de  acolhimento estudantil brasileiro.

Para tanto, o  Ministério da Educação e Cultura, deve fomentar a valorização do ensino por meio do investimento no material humano, com aumento de salários, planos de carreira e benefícios para os professores e  atenção especial e individual, para os alunos,  a fim de que no futuro o Brasil tenha um Ministério mais que só da “Educação”, mas do “Conhecimento”, como preconiza Tião Rocha.