O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 27/10/2021
O sistema de educação brasileiro pode ser dividido em dois diferentes tipos, o sistema público, que é financiado pelo governo e gratuito para os estudantes, e o sistema particular, que é financiado pelos responsáveis financeiros dos estudantes. Tendo esta informação, é possível notar que um problema em ascensão é a falta de investimento do Estado na educação.
Em uma primeira análise, pode-se utilizar os dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento e do Ministério da Economia, os quais registram que no ano de 2020 o governo Bolsonaro investiu apenas R$3,3 bilhões, menor montante desde o ano de 2010. Na educação básica, a redução nos investimentos foi de 25%, a etapa deixou de receber R$ 155 milhões, comparando os dois primeiros anos das gestões atual e anterior. Já os investimentos no ensino superior e profissional, que abarcam a rede federal de universidades e institutos federais, perderam R$1,3 bilhão na mesma comparação, trata-se de um recuo de 71%.
Em segunda análise, vê-se as consequências da falta de investimento afetando o aprendizado dos alunos. Conforme a pesquisa TIC Educação 2019 mostra que em dois terços das escolas públicas do estado de São Paulo, cada computador é compartilhado por mais de 20 estudantes. Já na rede privada, em dois terços das escolas, uma máquina é compartilhada por no máximo 20 alunos. Em relação ao acesso à ‘internet’ sem fio no ambiente escolar, 82% das escolas públicas urbanas contavam com o recurso, enquanto nas instituições privadas o alcance é de 100%. É possível utilizar como referência da desigualdade o ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio. Das cem escolas com as maiores notas, só três são públicas, da rede federal. O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais (33.º), o Politécnico da Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul (34.º), e o Colégio de Aplicação da Federal de Pernambuco (54.º). Este fato demonstra que o ensino particular tem constante vantagem em relação ao ensino público.
Diante dos fatos supracitados, é visível que um dos maiores agravantes da desigualdade escolar é a falta de investimentos do Estado na educação, sendo assim, a solução ideal seria que o governo aumentasse a verba para as instituições públicas de educação, melhorando a infraestrutura das escolas com reformas, investindo mais em material escolar de qualidade e assim inserindo a educação pública nas classificações de desempenho educacional.