O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Para o educador Paulo Freire “A educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.” Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário brasileiro, posto que a falta de oportunidade educacional ainda é muito frequente. Isso ocorre, ora em função da desigualdade social, ora pela inação das esferas governamentais para transformar a sociedade por meio da valorização da educação. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
A priori, é imperioso destacar que transformar uma sociedade por intermédio da educação, tendo como obstáculo a desigualdade social, torna-se laborioso. Isso porque, mediante às condições econômicas que muitas pessoas vivem, atingir um ensino superior ou até mesmo concluirem o ensino básico converte-se desafiador. Esse panorama se evidencia, por exemplo, quando se observa uma pesquisa do IBGE em 2018, em que apenas 36% dos alunos da rede pública que concluem o ensino médio, entram numa faculdade, e para os alunos da rede privada, o percentual é 79%. Diante disso, confirma-se o pensamento do escritor Guimarães Rosa: “Para o pobres, os lugares são mais longes.” Logo é substancial a alteração desse quadro que vai de encontro à possibilidade de escolha inerente ao homem.
Outrossim, é imperativo pontuar que o investimento na educação para transformações sociais é de responsabilidade, primeiramente, dos setores governamentais, devendo ser criado mecanismos de ação para, além de uma preparação ao ensino superior, como também a implementação de atividades sociais: campanhas de arrecadações de alimentos, visitas a intituições e discussões focadas em direitos humanos. Isso torna mais claro quando o economista britânico Sir Arthur Lewis afirma que a educação não é despesa, mas sim inventimento com retorno garantido. Desse modo, formam-se cidadãos capacitados para a melhoria de todo e qualquer âmbito social.
Depreende-se, portanto, a necessidade de enfatizar a importância da educação para transformar o meio social, ainda que no Brasil, o papel transformador não tenha sido aproveitado. Nesse sentido, cabe ao Governo e a mídia trabalharem definindo valores, difundindo campanhas e atividades supracitadas, cobrando essa ação por parte do ensino básico e posteiormente no ensino superior. Ademais, o governo precisa implementar políticas públicas que possam diminuir a desigualdade social diante de escolas públicas e privadas, investindo em melhorias educacionais para que os alunos de escola pública tenham acesso ao ensino superior tanto quanto de escola privada. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á, de forma que a frase de Paulo Freire realmente faça sentido.