O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 29/10/2021
A filosofia de Platão se divide em dois nichos: um exotérico, contendo os diálogos escritos, e outro esotérico, contendo a doutrina oral lecionada na Academia para um grupo restrito de alunos. A educação platônica, portanto, não era apenas um conjunto de utilidades passado do professor para o aluno, e sim um renascer do aluno dentro da verdade.
Entretanto, atualmente, a realidade difere do que foi citado. A educação brasileira se constitui em aprender algumas operações básicas e estar pronto para o mercado de trabalho.
Desse modo, a população se torna cada vez mais alienada dentro de sua própria condição social. A aquisição financeira é a causa e finalidade para alguém querer se educar.
Em primeira análise, deve-se salientar que, sendo a entrada no mercado de trabalho a única motivação educacional, cada vez mais nos fechamos para a sociedade e para os problemas da condição humana. Isso ocorre por decorrência das Revoluções Industriais dos séculos XIX e XX.
Por consequência, a educação perde o seu verdadeiro valor, e junto a isso se perdem as capacidades políticas verdadeiras de um homem, visto que Platão associava a ética, a ciência universal do comportamento humano, à política. A educação verdadeira está intimamente ligada a ação política, por isso Sócrates diz em “Górgias”, “Eu sou o único político verdadeiro em Atenas”.
Dito isso, fica claro como a verdadeira educação deve ser voltada para o aluno, e não para a o mercado de trabalho.
Torna-se evidente, portanto, que a educação utilitarista é extremamente danosa à população brasileira. Todo o sistema educacional está voltado para o individualismo e para o lucro, deixando de lado o papel social da educação, que é o de maior importância.
O governo deve mudar o foco da nossa educação e ter um melhor direcionamento para os seus investimentos. Enquanto não tivermos essa mudança cultural, nunca faremos justiça ao nome do Pai da Filosofia.