O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 03/11/2021

Nas tragédias gregas, todo mortal, que buscasse fugir do destino traçado pelos deuses era invariavelmente punido pela insubmissão, como Édipo, que não se eximiu de sua desdita, o parricídio e o incesto, e, ainda, terminou a vida cego e miserável. Esse enredo é similar a situação de muitos brasileiros na atualidade, que carregam sua sina de pobreza e de marginalização desde o nascimento, sem jamais livrar-se dela. Todavia, a educação possui um inestimável valor na transformação social do Brasil, por enfrentar suas contradições históricas e por despertar a consciência política. Diante disso, torna-se crucial analisar esses aspectos, para mudar o desfecho da tragédia nacional.

A princípio, faz-se imperioso anotar a capacidade da educação em combater contradições históricas na busca por mudanças no panorama social. Nesse sentido, o escravismo é exemplo de incoerência passada que marcou fundo a sociedade – na acepção do historiador Moses Finley –, cujos laivos, ecoam até o presente, na prevalência de pretos e pardos nos extratos mais baixos, posto que esses representam quase 70% dos mais pobres – dados censo 2010. Contudo, a educação pode reverter esse quadro, pois a maior escolaridade abre o acesso à cargos de gerência e chefia, de maior remuneração. Assim, o corpo social se livraria do perverso legado de exclusão e mais igualdade seria obtida.

Outrossim, é igualmente relevante apontar o papel da educação na politização dos menos favorecidos e nos avanços sociais. A esse respeito, o Estado, a personificação da vontade coletiva na teoria contratualista, é objeto de intensa disputa por grupos de interesses, por meio da política, buscando a condução desse. Nesse embate, pratica-se a despolitização do povo, modo eficaz de aliená-lo do processo decisório. Entretanto, por meio da educação, a população aparelha-se de conhecimento suficiente para que faça a leitura crítica da realidade e compreenda que, nas democracias, somente a política é legítima para promover alterações. Logo, com ela, desperta-se a consciência para esse canal e pode usá-lo para lutar pelo mundo que se quer.

Urge, portanto, diante do exposto, a adoção de medidas de ampliação do acesso à educação no país. Dessarte, o Ministério da Educação – responsável pelas medidas e programas do setor – deve propor plano plurianual de investimentos na educação com o fim de universalizar o acesso ao ensino médio e técnico profissionalizante, além da ampliar a rede de ensino público superior, com metas claras de atingimento a cada ano. Tal iniciativa seria realizada por meio de audiências públicas, como estratégia de engajamento da sociedade nesse propósito e garantia do cumprimento dos índices estabelecidos com essa participação. Desse modo, ao contrário de Édipo, todos seriam capazes de escolher sua própria fortuna.