O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 17/11/2021
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no país - prevê, em seu Artigo 6°, o direito inalienável à educação. Na contemporaneidade, entretanto, percebe-se que a isonomia da Carta Magna é afetada, visto que grande parcela da sociedade é marginalizada no que tange o sistema educacional. Dentro desse cenário, faz-se necessário analisar as possíveis causas do embate à concretização das tranformações sociais no Brasil pela educação, tais como a segregação social e a massificação do indivíduo.
Sob esse viés, cabe ressaltar a estrutura hierarquizada do sistema brasileiro como um obstáculo às transformações da sociedade pelo meio educacional. Nesse sentido, a maior parte dos brasileiros carece de condições monetárias suficientes para dispor seus filhos em colégios particulares e, dessa forma, há frequente desinteresse pelos alunos e consequente efusão escolar. Em analogia ao psicólogo Guy Debord, a criança necessita de um adulto para ajuda-lo a alcançar a maioridade crítica, então, ao não frequentar as aulas, há carência de estímulo cognitivo, o que gera, dessa forma, a segregação experimentada por essa parcela da sociedade. Destarte, ao sofrer tal dissociação, tem-se cidadãos alienados e privados de transformações sociais que apenas a aquisição de conhecimentos poderia fornecer.
Outrossim, a massificação do sujeito no sistema capitalista desvaloriza a educação como meio transformador. Dessa forma, além da hierarquia social do país, há supervalorização em criar sujeitos alheios a si próprios e aos outros, unificando pensamentos e discursos. Nesse sentido, a depreciação do sistema educador torna-se a forma mais rápida e prática para tal feito - fato que evita futuras transformações dos meios sociais - corroborando para manter intacto o sistema do país. Consoante à “Sociedade do espetáculo”, do escritor Guy Debord, o indivíduo é analisado pelo bem material que possui, sendo essa a prioridade do brasileiro frente à sociedade, deixando a formação educacional em segundo plano.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater a problemática em questão. O Estado, por meio de verbas públicas, deve promover, nas escolas públicas, aulas em que sejam expostos os valores da educação como meio transformador da sociedade - expondo, por exemplo, bibliografias de pessoas que estavam, também, em situações à margem e, através do sistema educacional, foram inseridos no meio. Assim, a Carta Magna passará para a prática o que nela é previsto.