Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 31/08/2019
Durante o período conhecido como idade antiga, a cidade de Roma era composta por uma sociedade patriarcal, em que o homem detinha total poder sobre a mulher. Séculos mais tarde, o cenário brasileiro se apresenta bastante análogo ao da antiguidade romana, visto que, a mulher ainda é frequentemente representada como mero objeto de satisfação masculina pela mídia. Isso evidencia-se não apenas na hipersexualização dessas, como também na criação de estereótipos corporais pelas propagandas.
Em primeira análise, é certo afirmar que a recorrente presença de mulheres seminuas e hipersexualizadas em publicidades induz e fomenta a objetificação do gênero feminino na sociedade, de acordo com pesquisa divulgada pelo portal de notícias G1. Nesse sentido, fica evidente como a mídia, buscando alcançar maior atenção do público a que se destina - majoritariamente homens - , passa a expor o corpo feminino de modo lascivo e sensual. Logo, é possível fazer um paralelo dessa conjuntura com as ideias da escola de Frankfurt - teoria social e filosófica - que declara que tudo tende tornar-se mercadoria. Assim, é indubitável e lamentável como a ganância pelo lucro por parte das empresas produz a criação de uma imagem feminina como mero produto a ser vendido.
Faz- se mister, ainda, salientar a criação de estereótipos corporais como possível consequência do impasse. Segundo a “Teoria do Habitus”, do sociólogo francês Pierre Bordieu, a sociedade possui padrões que são impostos, praticados e, posteriormente, reproduzidos. Desse modo, transparece como a idealização do corpo perfeito apresentado pela mídia influencia mulheres a buscarem, alienadamente, o que é tido como belo e exemplar, visando serem bem aceitas em seu tecido social.
Sendo assim, para que a teoria social da escola de Frankfurt não se aplique aos corpos femininos, isto é, para que não sejam vistos como mercadoria e objetificados, é necessário medida mais energética do poder público para resolver o impasse. Portanto, cabe ao Ministério da Cultura promover programas que incentivem uma nova imagem da mulher em propagandas, ou seja, apresentá-las como indivíduos capacitados e não apenas como objeto, por intermédio de publicidades que não associem a nudez feminina ao lucro. Isso é possível por meio e com o auxílio de empresas comerciais, que devem contribuir na fiscalização e punição das propagandas que transgredirem a imagem da mulher. Espera-se, com isso, alcançar uma sociedade menos patriarcal que respeite e preze pela dignidade feminina.