Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 13/09/2019

Na antiguidade, prevalecia a ideia de superioridade masculina, em que a mulher era vista somente como um objeto sexual, um exemplo é o filósofo Aristóteles, que reproduzia uma ideia de aversão às mulheres, alegando que elas são inferiores, e, logo, assemelham-se a objetos. Discursos como este, atrelados às ideias sexistas, contribuem para que a objetificação feminina, principalmente na área da publicidade, seja visto como uma coisa natural no contexto atual.

Observa-se, em primeira instância, que, assim como afirma o sociólogo Karl Marx, a desvalorização do mundo humano aumenta com a valorização do mundo das coisas. Sabe-se que a coisificação feminina é um método usado pela mídia como forma de alavancar seu produto e obter lucro, pois, segundo uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e Instituto Data Popular, 84% dos entrevistados concordam que o corpo feminino é usado para venda de produtos e 58% entendem que a mulher é representada como objeto sexual nessas campanhas. Um exemplo disso são as propagandas de cerveja, em que mostram as mulheres com roupas extremamente curtas como forma de hiper sexualizar seu corpo, tratando-as como se fossem um brinde ao escolherem tal marca de cerveja.

Por conseguinte, a auto-objetificação torna-se uma consequência da sexualização midiática feminina. De acordo com uma pesquisa publicada pela revista Psychological Science, a auto-objetificação resulta em mulheres menos ativas socialmente, isso decorre pelo fato de elas enxergarem seu próprio corpo e o corpo de outras mulheres apenas como objeto de prazer feminino, de modo que elas criem uma especie de competição feminina e acabem desenvolvendo diversos problemas como: distúrbios alimentares, depressão e baixa auto-estima.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Justiça criar leis que punam emissoras e empresas que usem a mulher como forma de objeto sexual, bem como na aplicação de multas, com o objetivo de prevenir os abusos da mídia em relação à representação feminina. Ademais, é dever do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), vetar todas as propagandas que objetifiquem as mulheres, e, em parceria com a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), investir na reinvenção de propagandas de cerveja, tendo como exemplo a marca Skol, que convidou ilustradoras para criar novos cartazes para suas campanhas, sem objetificar as mulheres, para que assim, mostre para a sociedade que as mulheres são mais que um corpo no biquíni. Por fim, é papel da mídia criar propagandas que mostrem as consequências da objetificação e o incentivo a sororidade feminina, mostrando quão importante é o papel da mulher na sociedade e mostrando que elas são muito mais que objetos de prazer masculino.