Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 23/09/2019

Karl Marx, importante sociólogo, defendia em suas obras a tese de que os meios de comunicação de massa disseminam o que a classe dominante considera aceitável e tendem a manipular o comportamento da sociedade. No contexto contemporâneo, a publicidade insere-se nesse âmbito e molda o pensamento coletivo a partir de diferentes visões, vertentes e ideologias. Entretanto, o problema da objetificação da mulher é recorrente nesse cenário, no qual, em razão da cultura machista imposta historicamente, o corpo feminino é colocado de forma submissa e inferiorizada.

Convém ressaltar, inicialmente, que as propagandas são resultado das manifestações dos costumes, modos de agir e pensamentos predominantes na conjuntura social. Desde o século XIX, as mulheres tiveram seus direitos negados e a sua representatividade restrita a servir o marido em todos os sentidos, inclusive o sexual. Atualmente, o corpo feminino tem sido objetificado por meio da mídia, a qual muitas vezes veicula anúncios de conteúdos que manifestam noções de inferioridade  e submissão, em que limita o seu papel à estética e fonte de prazer masculino. Nesse sentido, apesar dos avanços nas conquista de direitos, o machismo presente desde décadas atrás ainda é praticado e disseminado no panorama hodierno por meio dos recursos de comunicação.

É válido analisar, ainda, que essa problemática é um entrave para o avanço da coletividade. Tal fato propicia, sobretudo, a formação no imaginário da população de uma equivocada percepção de que a mulher não carece de respeito, além de  descartar a importância da equiparação de gênero. Ademais, conforme o pensador George Orwell, escritor inglês: “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia, e a mídia controla a massa.” Sob esse viés, marcas famosas utilizam meios sensacionalistas para estimular a venda de seus produtos e controlar as crenças sociais. Exemplo disso são muitos clipes musicais e propagandas de bebidas alcóolicas que colocam o indivíduo feminino com roupas curtas de forma a torná-lo em uma mercadoria possível de ser adquirida e consumida. Dessa maneira, corpo da mulher é visto como, apenas, um objeto para a satisfação das vontades masculinas, o que é maléfico para a representatividade delas e a manutenção da igualdade de direitos.

Torna-se evidente, portanto, que a objetificação da mulher na publicidade é prejudicial para o mundo contemporâneo. Cabe ao Sistema Legislativo formular um projeto de lei que a torne crime, passível de penalizações sob a forma de multas altas e prisões para os responsáveis pela veiculação desse tipo de conteúdo. Além disso, cabe ao Estado, em parceria com os recursos midiáticos, promover medidas de senso crítico que valorizem a mulher e desconstruam visões nocivas de machismo. Isso pode ser feito por meio de ficções engajadas, debates em programas e anúncios conscientizadores.