Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 24/09/2019
Na antiguidade, prevalecia a ideia de superioridade masculina, em que a mulher era vista somente como um objeto sexual, um exemplo é o filósofo Aristóteles, que produzia uma ideia de aversão às mulheres, alegando que elas são inferiores, e, logo, assemelham-se a objetos. Discursos como este, atrelados às ideias sexistas, contribuem para que a objetificação feminina, principalmente na área da publicidade, seja vista como algo natural no contexto atual.
Observa-se, em primeira instância, que, assim como afirma o sociólogo Karl Marx, a desvalorização do mundo humano aumenta com a valorização do mundo das coisas. Sabe-se que a coisificação feminina é um método usado pela mídia como forma de alavancar seu produto e obter lucro, pois, segundo uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e Instituto Data Popular, 84% dos entrevistados concordam que o corpo feminino é usado para venda de produtos e 58% entendem que a mulher é representada como objeto sexual nessas campanhas. Um exemplo disso são as propagandas de cerveja, em que mostram as mulheres com roupas extremamente curtas como forma de hiper sexualizar seu corpo, tratando-as como se fosse um brinde ao comprar tal marca de cerveja.
Por conseguinte, a auto-objetificação torna-se uma consequência da sexualização midiática feminina, pois, por serem constantemente sexualizadas elas acabam achando que são apenas um corpo. De acordo com uma pesquisa publicada pela revista Psychological Science, a auto-objetificação resulta em mulheres menos ativas socialmente, isso decorre pelo fato de elas enxergarem seu próprio corpo e o corpo de outras mulheres apenas como objeto de prazer masculino, de modo que elas criem uma espécie de competição feminina e acabem desenvolvendo transtornos como: distúrbios alimentares, depressão e baixa auto-estima.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Justiça criar leis que punam emissoras e empresas que usem a sexualização feminina em suas propagandas, bem como a aplicação de multas, com o objetivo de prevenir abusos da mídia relacionados à representação feminina. Ademais, é dever do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária vetar todas as propagandas que objetifiquem as mulheres, e, em parceria com a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), investir na reinvenção de propagandas de cerveja, tendo como exemplo a marca Skol, que convidou ilustradoras para criar novos cartazes, para que, assim, mostre para a sociedade que as mulheres são mais que um corpo no biquíni. Por fim, é papel da mídia criar propagandas que mostrem o incentivo à sororidade feminina, mostrando quão importante é o papel da mulher e que elas são muito mais que um objeto de prazer masculino.