Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 31/10/2019

A violência pode ser entendida tanto ao ato de agressão física, quanto moral. No Brasil, a mulher é uma das principais vítimas da violência nos variados contextos da sociedade, como dentro da própria casa pelos maridos e pelas televisões, que apresentam publicidades que violam o direito e a imagem feminina. Sob esse viés, cabe parafrasear a máxima do compositor Jorge Ben Jor, o Brasil é um país tropical, abençoado por deus e marxista por natureza. Desse modo, confirmando tal máxima, convém analisar as causas, consequências e possíveis soluções para esse problema arcaico.

A priori, a objetificação da mulher na publicidade não é um tema atual, contudo, necessitado de reparos. É inadmissível que, em pleno século XXI, a imagem feminina seja exposta como objeto sexual nos meios midiáticos brasileiros. Tal realidade, entretanto, perpetua-se desde os primórdios das primeiras tecnologias, afinal, no século XVIII, com o advento revolucionário industrial, a mulher era, ainda, vista como submissa ao homem. Nesse contexto, cabe destacar a pesquisa da agência Heads Propaganda. De acordo com eles, apenas 5,13% dos comerciais empoderam as mulheres. Isso significa, portanto, que cerca de 21 milhões de reais do investimento em mídia são gastos com peças que reforçam esteriótipos de gênero. Tal situação é caótica, contudo, mutável.

Outrossim, nada vale a mudança se não for transformada a mentalidade brasileira que é, em sua maioria, marxista e conservadora. Dessa maneira, é necessário o implemento educativo nesse quesito, pois como dizia o educador Paulo Freire, “a educação não muda a sociedade, muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo”. Assim sendo, o convívio social será, desse modo, mais confortável para o gênero feminino, visto que constitui o principal alvo de publicidades, tal que reforça a objetificação, como nos comerciais de cerveja. As propagandas, por sua vez, tem função apelativa na sociedade, com o objetivo de enfatizar o consumido e para isso, utiliza-se da violação do direito da mulher, para “chamar” consumidores homens, de forma a moldar uma imagem sexual da mulher, como ocorre nos comerciais de cerveja. Isso nada mais é do que o reflexo social da mentalidade brasileira.

Logo, é sabido, então, que a objetificação da mulher em publicidades se deve pela contribuição do pensamento social como também, pelo fator histórico que reflete, diretamente, nos meios midiáticos. Para findar com isso, é necessário a atuação do Ministério da Educação para promover transformação no pensamento da sociedade desde o ensino básico, por meio de debates, aulas e livros didáticos que propiciem o respeito entre os gêneros, com a finalidade de demonstrar para crianças e adolescentes que é indevido e contra a constituição a objetificação do corpo feminino e isso é degradante no convívio social.