Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 20/01/2020

Na pólis de Atenas, um dos berços da civilização ocidental, a mulher era vista com ares de inferioridade em relação homem em diversos aspectos. Nesse sentido, as mulheres não participavam da política ateniense, tendo um papel restrito dentro da sociedade grega. Não obstante, mesmo com o passar do tempo, essas barreiras à igualdade de gênero na sociedade continuam presentes no mundo hodierno. Nessa perspectiva, é nevrálgico analisar o contexto histórico causador da objetificação da mulher na publicidade contemporânea e os instrumentos da manutenção desse comportamento.

Nesse contexto, percebe-se que as mulheres foram – e ainda são- inferiorizadas desde os primórdios da Idade Antiga. Segundo Aristóteles, um dos mais influentes pensadores do Ocidente, o resultado de homens com os testículos mutilados seriam as mulheres, ou seja as mulheres seriam homens mutilados. A partir desse tipo de pensamento preconceituoso e machista, inaceitável nos dias atuais, é escancarado a ideia de inferioridade do sexo feminino. Nesse contexto, é demonstrado que ao ter um papel secundário da sociedade, a mulher passa ser vista com um objeto, sendo usada para atender aos fins mais convenientes a determinado grupo de pessoas. A relação abusiva da publicidade moderna com a mulher pode ser, em parte, explicada pela historiografia e pela perpetuação de determinados conceitos e comportamentos tóxicos em relação a este gênero.

Outro aspecto de suma relevância é o modelo capitalista, predominante no mundo atual, no qual o retorno financeiro é o principal objetivo a ser atingido, mesmo que utilizando-se de métodos que estimulem desigualdades e reforcem estereótipos arcaicos ainda vigentes. De acordo com Karl Marx, crítico ao capitalismo, esse modelo é baseado na exploração de determinados grupos por uma elite que visa o capital financeiro e manutenção desse sistema na sociedade. Nesse sentido, a utilização da mulher em peças publicitárias de forma preconceituosa, machista e misógina reforça esse tipo de pensamento. Cabe salientar, ainda, que esse tipo de publicidade é prejudicial à busca por direitos sociais e políticos e igualdade de gênero numa sociedade historicamente patriarcal.

Entende-se, diante do exposto, que o papel da mulher na sociedade esteve atrelado a preconceitos e desigualdades desde a Idade Antiga. Destarte, cabe ao Poder Público, por meio do Ministério da Educação e da Secretária da Cultura estimular o debate na sociedade civil e nas escolas sobre o papel da mulher na sociedade moderna, com palestras, cursos, programas socioeducativos, entre outros. Essas medidas visam diminuir as diferenças sociais existentes entre os gêneros, gerando, progressivamente, uma conscientização social que levará a sociedade a discutir a publicidade feminina de forma crítica, condenando-a quando difusora de estereótipos e preconceitos contra mulheres.