Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 26/01/2020

No livro “Dialética do Esclarecimento”, Max Horkeimer e Theodor Adorno, definem indústria cultural como um sistema político e econômico que tem por finalidade produzir bens de cultura como mercadoria e estratégia de controle social. De forma análoga, hodiernamente, a publicidade tem criado uma nova mercadoria para consumo: a mulher. A evidente objetificação da mulher traz como problemática a naturalização do machismo e o incentivo ao abuso contra a mulher.

Em primeiro plano, é notório que, a objetificação da mulher, feita pelas propagandas, é, o que Carlos Drummond de Andrade classificaria, como uma pedra no meio do caminho da igualdade de gênero. Pode-se observar que, na obra “Mayombe” de Pepetela, a personagem feminina Ondina é retratada sem voz como alusão ao machismo presente na sociedade. Em paridade com com o romance angolano, nos dias atuais, o machismo é, ainda, uma realidade que está sendo agravada devido à objetificação das mulheres em campanhas publicitárias.

Ademais, a erotização feminina, presente nas propagandas, é um encorajamento à violência e ao abuso contra a mulher. É valido recordar que, a sensualidade feminina sempre foi descrita de forma indevida desda descoberta do território nacional, onde, em carta, Pero Vaz de Caminha, relata o corpo despido das indígenas brasileiras de forma libertina. É fato que, as propagandas de publicidade, também utilizam a imagem da mulher de forma erótica, o que contribui para a visão da mulher como um objeto, sendo um presságio do abuso feminino.

Faz-se premente portanto diligências para que as publicidades não mais objetifiquem as mulheres. Assim sendo a sociedade deve denunciar -através de e-mail, carta ou pelo site-, qualquer tipo de publicidade que objetifique as mulheres, ao CONAR (Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitaria) para que o mesmo possa retirar a propaganda do ar. Outrossim o ministério de defesa dos direitos da mulher deve pressionar a Câmara dos Deputados para que aprovem o projeto de lei que proíbe propagandas que objetificam as mulheres. Logo, após tomadas as medidas,  as mulheres se verão livres da objetificação feminina.