Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 01/02/2020
A cientista polonesa Marie Curie graças a seus estudos sobre a radioatividade, acerca do isolamento de isótopos e, posteriormente, a sua pesquisa sobre o tratamento de neo plasmas através da radiação foi premiada com dois Prêmios Nobel(1903-1911), sendo a primeira pessoa a realizar este feito, além disso, quebrou inúmeros preconceitos em relação a capacidade feminina de produção, participação social e científica. Sem embargo, apesar de exemplos como o de Marie e o de outras mulheres, é irrefutável que há na figura feminina, principalmente por propagandas, uma objetificação da mulher, alimentada por uma sociedade machista e misógina, que não vê problema nesse tipo de anúncio, acrescida pelo meio publicitário, que consente com o desrespeito à mulher em troca de visibilidade.
Em suas memórias póstumas, Brás Cubas, célebre personagem de Machado de Assis, diz estar contente com o fato de não tido filhos, pois assim o legado da miséria humana não foi passado por ele para nenhuma outra criatura. Longe da literatura, vê-se que a miséria humana ainda persiste ao notar a objetificação da mulher na publicidade, que é agravada pela banalização que isso tem socialmente. Como nas teorias de Lamarck, o meio em que o indivíduo se situa influência o seu comportamento de maneira direta, uma pessoa rodeada por uma sociedade que desrespeita a mulher e é extremamente machista, explica o fato do indivíduo olhar esse tipo de propaganda de maneira comum, sem perceber que na propaganda de cerveja, a qual mostram uma mulher semi-nua e no fundo, quase imperceptível, o logo da bebida, há uma extrema violência e exploração da imagem feminina.
Outrossim, foi promulgado pela Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 1º, IV, que um dos princípios fundamentais da nossa república é a dignidade da pessoa humano. No entanto, mesmo com a enorme importância desse fundamento em nossa república, estampado no artigo primeiro da Carta Magna do Brasil, o meio publicitário parece desprezá-lo ao usar a figura da mulher como um mero objeto, com propagandas como a da Audi em que uma mulher era “revisada” pela sogra, como se fosse um carro usado, e ser reprovada por não ter silicones, propagandas dessa espécie devem ser totalmente banidas, criticadas pela sociedade e até passíveis de sanções penais como multas.
Destarte, é mister que mudanças sejam feitas para coibir esse tipo de publicidade desprezível. Primeiramente, é necessário que haja, desde o ensino primário na rede pública e privada, uma educação de gênero, com palestras, filmes e depoimentos, visando a construção de uma sociedade a qual entenda o quão grave é tratar a mulher como objeto em uma propaganda. Segundamente, é de suma importância a ratificação de uma lei possibilitando que empresas que façam propagandas desse cunho sejam punidas financeiramente, desmotivando diretamente a criação desse tipo de conteúdo.