Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 09/03/2020
A igualdade de gênero deveria ser um pilar cidadão essencial. Contudo, essa conquista é inibida por uma ciência social conservadora, fortemente contestada por Jessé Souza, que reproduz interesses masculinos, impulsionando a objetificação feminina como método de promoção publicitária. Esse quadro, ainda, é intensificado por um sistema educacional que naturaliza tais distinções sexuais, tão destrutivas à coletividade.
A princípio, é notório que a objetificação feminina é acentuada pelos interesses masculinos. Acerca desse tópico, o sociólogo brasileiro Jessé Souza denuncia que a formação social do Brasil foi imbuída do “culturalismo científico”, ao travestir privilégios de uma roupagem científica capaz de legitimar e invisibilizar hierarquias de poder. Por consequência, ao passo que os homens criam anúncios, usufruem de sua suposta autoridade “científica” para objetificar a mulher. Exemplo de tal distinção de gênero é o contraste publicitário entre os filmes “Aves de Rapina”, dirigido por uma mulher, e o filme “Esquadrão suicida”, dirigido por um homem.
Além dessa influência cultural, vale ressaltar o papel da escola na perpetuação da coisificação feminina. Nessa acepção, Jessé Souza, ao criticar a imposição de discursos, que justificam a conduta masculina, analisa, paralelamente, que são instituições concretas que nos moldam, pois concerne, amplamente, à escola formar princípios sociais. Dessarte, ao não promover o reconhecimento de valores sociais que necessitam de atualização, como o “culturalismo científico”, o sistema educacional banaliza a manutenção da objetificação feminina como publicidade.
Portanto, para que o combate a objetificação feminina seja efetivo, o sistema educacional - dado o poder da educação de adaptar e transformar o indivíduo - deve promover a estruturação de valores igualitários, que motivem a ressignificação de comportamentos e discursos, através da análise histórico-artística de valores sociais e humanos que devem ser atualizados. Dessa maneira, será possível descontinuar a hegemonia de “culturalismos”, que perpetuam privilégios masculinos.