Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 14/05/2020
Na música “Surubinha de leve”, de MC Diguinho, o cantor fala como vai embebedar uma mulher, estrupa-la e larga-la na rua. A letra causou muita repercussão na mídia, grupos feministas afirmavam que o funk possuía misoginia, objetificação da mulher e apologia ao estupro, porém o artista alegou que estava apenas usufruindo do seu direito de liberdade de expressão. Situações como essa, infelizmente, são muito comuns, a erotização feminina na mídia se tornou algo “normal”, consequentemente se constrói a cultura do estupro e a desestruturação da saúde física, mental e psicológica de adolescentes e mulheres adultas.
Em primeiro lugar, é importante destacar que George Orwell, escritor e político inglês, disse que “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. ou seja, a publicidade tem um grande poder sobre a sociedade, ao ponto de molda-la, porém é o povo que a mantem. Nesse viés, vale ressaltar como os meios de comunicação têm a capacidade de normalizar e/ou criar algo, por exemplo, a cultura do estupro, normalização do ato do estupro na sociedade. À vista disso, a quantidade de casos de estupro e violência contra a mulher são alarmantes, dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada mostram que a cada 11min uma mulher é estuprada e a cada 12s, uma é violentada.
Além disso, muitas meninas e mulheres desenvolvem distúrbios alimentares, baixa autoestima e depressão, isso se deve a padronização do corpo feminino nas redes de comunicação. Outrossim, no seu documentário “Miss Americana”, a cantora norte-americana, Taylor Swift, fala sobre como a indústria elabora um corpo irreal, mas muito desejado, “Sempre vai existir algum padrão de beleza no qual você não se enquadra, porque se você é magra o suficiente, você não tem o bumbum que todo mundo quer, mas se você tem peso o suficiente para ter esse quadril, então, sua barriga não é lisa como deveria. Isso tudo é impossível”.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, aulas de sociologia as quais ensinem sobre a cultura do estupro, suas raízes, consequências e formas de combate e palestras realizadas por psicólogos, nutricionistas e profissionais de educação física que falem como a indústria mostra um corpo irreal, doente e inalcançável, a diversidade de corpos, o que é um corpo saudável e como tê-lo. Somente assim, será possível combater a cultura do estupro, cuidar da saúde física, mental e psicológica de mulheres de todas as idades e tornar raras histórias como as de “Surubinha de leve”.