Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 21/06/2020

A música “Adestrador de Cadela” do cantor Mc MM expõe e menospreza a imagem da mulher ao compará-la com um animal e uma ferramenta de sexo, perdendo a identidade como pessoa e se tornando um objeto sexual. Paralelamente, a utilização do corpo feminino no mercado publicitário para atrair a atenção do público é um exemplo hodierno da objetificação da mulher. Logo, a representação da mulher como objeto nos diversos anúncios e propagandas e a tradução dessa representatividade nas esferas da sociedade compõe esse um problema que deve ser discutido com urgência.

Em primeiro lugar, a perda de identidade da mulher ao torná-la mercadoria em anúncios é fato. O apelo sexual por meio do uso do corpo para cativar o público alvo de determinado produto é, inquestionavelmente, uma forma de objetificação da mulher e, consequentemente, da perda de identidade dessa como pessoa. De maneira clara, as propagandas de cerveja são um exemplo dessa desidentificação das mulheres, uma vez que, são representadas de maneira sensual para atrair os consumidores, nesse caso, em sua maioria, homens. Assim, o uso do corpo da mulher como atrativo para o mercado publicitário transforma sua imagem de pessoa em objeto.

Ademais, o emprego da imagem feminina na publicidade perpetua para a ascendência do machismo e, portanto, para uma menor participação da mulher na sociedade. Dado que a maneira como a figura da mulher passa a ser representada como objeto para satisfação dos desejos masculinos permite uma degradação de seus avanços nas esferas políticas, sociais e trabalhistas. Logo, o uso de anúncios com cunho sexual do corpo feminino transcende o mercado publicitário e atinge a figura da mulher em suas diversas camadas sociais.

É evidente portanto que a objetificação da mulher na publicidade e sua identidade como pessoa, bem como seus efeitos na sociedade somam um grave problema social. Para que a representação do corpo feminino não seja uma mercadoria publicitária, urge que o poder legislativo em conjunto a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher criem medidas legais que penalizem os órgãos publicitários que utilizarem a mulher como objeto em um contexto sexual explícito ou não, por meio de leis que multem as entidades responsáveis por esses anúncios. Somente assim, a mulher não será vista como mercadoria ou atrativo como na música “Adestrador de Cadela” e poderá, cada vez mais, representar sua figura como parte integrante e indispensável da sociedade.