Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 20/08/2020

De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Data Popular, 84% dos entrevistados concordaram que o corpo da mulher é usado para a venda de produtos nas propagandas de TV e 58% entendiam que a mulher é representada como objeto sexual nessas campanhas. Logo, esses dados reforçam o conceito de banalidade do mal, da filósofa Hanna Arendt, haja vista que algo tão ruim, como a objetificação da mulher na publicidade, se tornou algo comum na sociedade atual. Nesse sentido, é muito importante entender como isso começou e os problemas desencadeados nas vítimas dessa objetificação.

Primeiramente, é importante salientar que a coisificação das mulheres tem origem pelo modo de como a sociedade foi estruturada. Isto é, de forma patriarcal, em que os homens eram os provedores dos lares e gestores dos bens familiares enquanto as mulheres eram sustentadas por esses recursos, além de serem entendidas como dependentes do homem e objeto de prazer do mesmo. Logo, é difícil mudar essa desigualdade de gênero, pelo fato de que, essa ideia está enraizada na sociedade contemporânea.

Em segundo plano, é imprescindível entender que a ação de tratar as mulheres como objeto, afeta muito a vida das mesmas, tanto psicologicamente quando socialmente. Prova disso, foi pesquisa publicada na Psychological Science em 2013, a qual informou que mulheres que apresentam altos níveis de auto-objetificação tendem a ser menos ativas socialmente. Ou seja, além das próprias mulheres se verem como objeto, elas ainda sofrem com a socialização. Em suma, fica claro que, em pleno século XXI, é extremamente relevante extinguir essa objetificação, já que a mesma acarreta diversos problemas para as vítimas.

Pode-se perceber, portanto, que é necessário desconstruir essa ideia de que a mulher é um mero objeto. Sendo assim, cabe à mídia, por meio da mudança das propagandas em que estas não objetifiquem as mulheres, alterar o modo de como o gênero feminino é pensado, de modo a desfazer esse estereótipo. Ademais, as escolas devem promover palestras que ensinem que os dois gêneros são iguais e nenhum deve ser tratado como objeto, mostrando as consequências dessa objetificação, para que as crianças e os adolescentes cresçam sem essa ideia e assim desconstruam esse problema enraizado na sociedade.