Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 21/08/2020

Analisar as propagandas veiculadas pela mídia brasileira é constatar que a figura feminina é alvo da objetificação publicitária. Embora a luta feminista tenha proporcionado a ampliação da visão sobre equidade de gênero, de modo paradoxal, a mulher continua sendo coisificada nas propagandas, nas quais seu corpo é hiper sexualizado e estereotipado. Tal condição, além de fomentar o machismo enraizado na nossa sociedade, cria padrões de beleza inalcançáveis na realidade, promovendo assim, uma série de consequências negativas. Dessa maneira, evidencia-se a importância de alterar esse cenário, utilizando para isso o próprio poder de influência da publicidade.

Antes de tudo, é forçoso destacar que toda propaganda apresenta uma finalidade, a qual não se resume no ato de vender um produto, mas, mormente, uma ideologia. Essa última, é definida pela filósofa brasileira Marilena Chaui, como um agregado de ideias e regras criadas com o intuito de apontar, basicamente, como as pessoas devem agir e o que precisam fazer, falseando a realidade. Na publicidade, com a estereotipação do corpo feminino, cria-se um ciclo de necessidades, os quais impulsionam a venda dos produtos divulgados para alcançar tal ideal de “perfeição”. Entretanto, o padrão imposto pela mídia não representa a maioria das mulheres, até mesmo porque as personagens dos comercias são normalmente photoshopadas para obterem um “corpo perfeito”. Assim, observa-se uma quantidade massiva de mulheres insatisfeitas com suas aparências, muitas com distúrbios alimentares e até mesmo, depressão.

Sobre a mesma perspectiva, deve-se salientar o quanto a objetificação feminina reforça o aspecto machista da sociedade, uma vez que expõem a mulher a uma situação de submissão em relação ao homem ou ainda, incita a cultura do estupro. Só para ilustrar, as propagandas de cerveja exemplificam bem essa questão da apelação sexual para a vender o produto, asseverando o desrespeito perante as decisões femininas e, mesmo que indiretamente, a violência. Isso ocorre visto que ao tratar uma pessoa como simplesmente um objeto sexual, desconsidera-se toda a dignidade dela. indubitavelmente, ao explanar essas questões, vê-se que é de urgência a mudança dessa realidade.

Em suma, apesar do problema ser de solução complexa, já que faz parte de um pensamento machista cultivado durante anos pela população, ele pode ser amenizado. Portanto, seria conveniente que houvesse maior fiscalização por parte do CONAR-Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária- sobre as propagandas que são difundidas na mídia, bem como a conscientização das pessoas, a fim de que essas problematizem cada vez mais a objetificação da mulher. Dessa forma, um dia, quiçá, a problemática seria atenuada.