Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 21/08/2020

Embora os movimentos reacionários, como o feminismo, venham proporcionando uma maior autonomia feminina, ainda é nítida a persistência do uso da estereotipização e hipersexualização da mulher principalmente pelas mídias publicitárias. Apesar de sutis, essas atitudes podem normalizar comportamentos de viés machistas.

Em um século caracterizado pela informação e busca da equidade de gêneros, é inadmissível que sejam disseminados pensamentos que induzam à banalização da imagem da mulher. Mesmo que implícitos, elementos sexistas estão bastante presentes no meio publicitário, a exemplo dos comerciais de cerveja. Em 2015, a Skol divulgou cartazes em que havia escrito “esqueci o ’não’ em casa”, mensagem na qual percebe-se claramente a apologia ao assédio sexual. Similarmente ocorre na propaganda da “Verão” da Itaipava, em que a modelo, vestindo um biquíni, é reduzida a um objeto de prazer masculino.

Indubitavelmente, as raízes patriarcais da sociedade estão entre as causas da manutenção da desvalorização da mulher enquanto indivíduo e da sexualização de seu corpo. Ao propagar esses ideais ao seu público consumidor, além de influenciar na normalização de assédios e da violência sexual, também gera a auto-objetificação da mulher, que sofre pressões estéticas e acaba desprezando suas capacidades. Ademais, essa problemática é vista naturalizada até mesmo entre os jovens, a exemplo da sexualização das personagens femininas de jogos eletrônicos, como o “League of Legends”.

Por conseguinte, cabe ao Poder Legislativo criar leis mais severas que apliquem multas e censurem as campanhas midiáticas que desrespeitem a imagem da mulher. Ainda, as mídias devem investir em propagandas de emponderamento feminino, assim atraindo esse público e trazendo reflexões sobre o tema. Dessa forma, ao influenciar o grupo-alvo, desnaturaliza-se o objetificação e, consequentemente, o assédio e a violência contra a mulher. Assim, cedendo a elas o respeito que merecem.