Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 09/09/2020

Ao elencar traços considerados necessários em uma potencial parceira amorosa, José, protagonista da obra “O Seminarista” de Rubem Fonseca, expõe uma visão completamente misógina do sexo feminino, que é edificado como instrumento de sedução. No entanto, apesar de fictícia, a abordagem da obra representa os pilares sociais da atual realidade do Brasil, marcada pela objetificação da figura feminina. Nesse prisma, motivada não só pela herança patriarcal, mas também pela padronização estética da mídia, a atitude de coisificar esse grupo gradativamente tem se tornado intrínseca à sociedade e por isso deve ser remediada.

Em primeira análise, é importante citar que a configuração histórica da sociedade é uma das causas da efetividade da objetificação das mulheres. Nesse sentido, a perpetuação de ideias machistas, que colocam o sexo feminino em posição de inferioridade, por exemplo, são fortalecidas e difundidas quando a sexualização da dimensão mulheril como artifício exclusivo da satisfação masculina é encarada com naturalidade no meio social. Consoante a isso, de acordo com a revista Superinteressante, cerca de 70% dos homens e 40% das mulheres consideram normal a circulação de propagandas que erotizam o corpo feminino, sobretudo em marcas de bebidas alcoólicas. Lamentavelmente, tal conduta além de debilitar uma luta histórica por igualdade de gênero, torna a condição de objeto atribuída à mulher uma característica intrínseca à sua natureza, o que outorga a elas uma condição de subcidadania, ao não ter autonomia sequer sobre o próprio corpo.

Em segundo plano, é indiscutível que a construção de estereótipos de beleza pelos recursos midiáticos potencializa a idealização de um corpo-objeto considerado perfeito. Somado a isso, para ser considerada bonita, é necessário que a mulher constitua-se de modelos pré-determinados de peso e forma, por exemplo. Nesse viés, Theodore Adorno, em sua produção filosófica, afirma que a criação de protótipos de perfeição pela publicidade é a base da massificação dos indivíduos, que com o tempo perdem sua identidade para aderir às imposições do meio. Além de espantoso, tal fato é desumano e revela que o crescente culto a um padrão que não valoriza os diversos biotipos humanos condiciona a busca patológica por aceitação social e potencializa a objetificação da aparência feminina, que perde sua essência de “sagrado feminino” e passa a ser um produto do meio.

A partir dos fatos supracitados, faz-se necessário combater a coisificação feminina. Para isso, é indispensável que o Ministério da Mulher, juntamente com o Ministério da Educação, promova campanhas sobre o assunto nas escolas para os alunos e seus responsáveis. Para isso, tal ação deve ser efetivada por meio da destinação de verbas governamentais para a realização de palestras com profissionais de psicologia que abordam a necessidade do tratamento igualitário entre gêneros no campo publicitário e social. Logo, o efeito de tal medida é a superação dos princípios históricos de objetificação do sexo feminino, o que otimiza a superação dos infortúnios apresentados na obra de Rubem Fonseca fomenta a construção de uma sociedade mais homogênea.