Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 31/10/2020
Em 2015 a Skol lançou no carnaval a campanha “deixe o “não” em casa”, contrariando as campanhas contra o estupro “não é não”. Em resposta houveram muitas denuncias e críticas. Só depois disso que retiraram os cartazes, no entanto, não ficou claro para os publicitários que esse tipo de propaganda não pode ser tolerada. Pois ainda existe objetificação da mulher na publicidade. Por isso é necessário discutir o assunto, as empresas precisam parar de tratar o corpo feminino assim em prol do sucesso, visto que isso cria padrões nocivos na sociedade.
Em primeiro lugar, a objetificação da mulher na publicidade contribui para a desigualdade de gênero. A indústria cultural enxerga o copo da mulher e repassa para a população a sua visão, consequentemente as propagandas inconsequentes reproduz a cultura do estupro e do machismo. Por fim afeta o acesso ao mercado de trabalho, disparidade salarial e sobre a autonomia da mulher de seu próprio corpo. Tudo isso por causa dos paradigmas da sociedade que são reforçados pela propaganda.
Ademais, existe a atuação do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária - Conar - que não é o suficiente. Pois quando denunciados, os publicitários, se ancoram no humor e não são devidamente punidos ou reeducados. Nesse sentido, existe diversos relatos de publicitárias nas redes sociais que declaram assédio e abuso quando tentam se postar contra as propagandas machistas. Sendo necessário que seja realizado uma transformação das equipes publicitárias.
Fica evidente, portanto, que o assunto é negligenciado pela indústria cultural. A objetificação da mulher da publicidade deve ser combatida com educação acadêmica e reciclagem nas empresas. O Ministério da Educação precisa incluir nos cursos de publicidade uma matéria para tratar o tema e suas consequências, assim o ciclo será interrompido. Também as empresas devem se conscientizar e dar voz para as mulheres publicitárias, elas sofrem com isso e são qualificadas para discutir e reverter isso de dentro. Somente assim propagandas como da Skol ficará no passado.