Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 03/11/2020
A série irlandesa Vikings aborda, dentre suas inúmeras temáticas, a mulher como mero material de reprodução e de prazer para o homem. Análogo à ficção, a objetificação da mulher ao longo dos séculos contribuiu para a formação de uma sociedade em que a imagem é mais importante do que o “ser”. Diante disso, é preciso analisar contextos sociais que colaboram para a perpetuação da imagem da mulher como objeto e as suas consequências.
Em primeiro plano, é preciso compreender que a objetificação do corpo feminino diz respeito à banalização da imagem da mulher, de modo que sua aparência importe mais do que todos os outros aspectos que as definem quanto indivíduos. Nesse sentido, propagandas publicitárias corroboram para reforçar esse cenário, visto que elas são capazes de influenciar na maneira como o sexo feminino é visto e tratado na sociedade. A exemplo disso, a cerveja “Itaipava” é famosa por comercializar seu produto por meio de garotas desfilando em biquínis, as hipersexualizando. Logo, esse tipo de estratégia compara, mesmo que indiretamente, a mulher a uma mercadoria ou objeto.
Consequentemente, prejuízos físicos e emocionais acometem a comunidade feminina. Sob tal ótica, a estereotipação é a principal delas, uma vez que padrões estéticos irreais, como de corpos magros e definidos, passam a serem exigidos nos ambientes familiares ou profissionais. Assim, a autoestima da mulher fica fragilizada e, a partir disso, inicia-se uma busca incessante pela aparência física perfeita, sejam por métodos seguros, como malhar, sejam por procedimentos estéticos ou dietas não confiáveis.
Tendo em vista os fatos apresentados, são necessárias ações para cercear a objetificação da mulher. Sendo assim, é dever das grandes corporações, em parceria com o setor midiático, buscar novas maneiras de enaltecer seus produtos por intermédio de diferentes atributos, tal qual animações digitais, que não promovam a hipersexualização do corpo feminino como recurso de vendas, objetivando respeitar este grupo. Além disso, cabe à sociedade combater a materialização da mulher, recorrendo ao rompimento dos padrões de beleza estabelecidos e incentivando a aceitação da pluralidade a fim de que as cobranças a respeito da aparência feminina diminuam significativamente. Somente assim, será possível superar os desafios vividos desde a antiguidade e promover um futuro livre de estigmatizações fisionômicas.