Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 06/11/2020
Pessoas são bombardeadas, diariamente, por milhares de propagandas, seja na internet seja em ‘‘outdoors’’ ou na televisão. Essas propagandas, em sua maioria, reforçam estereótipos, como o da mãe perfeita ou do corpo magro e branco. Entretanto, essas propagandas retratam também um outro problema da sociedade - o machismo. Utilizando-se de imagens de mulheres transformadas em objetos, desumanizando-as, metaforiza-se que a mulher é um bem a ser possuído pelo homem e que essa não tem voz própria, é apenas um objeto. Assim, é lícito afirmar que a postura de agências de publicidade, do CONAR e de empresas em relação á esse tipo publicidade é negligente.
Em primeiro plano, é imprescindível mencionar que, assim como em outras áreas, o número de mulheres em cargos de liderança em agências de publicidade é pequeno, mas esse cenário se repete também nos setores de criação dessas empresas, como mostra pesquisa feita pelo projeto 65/10. Por conseguinte, se um número reduzido de mulheres participa do processo de criação, elaboração de propagandas e integra efetivamente essas empresas, é inegável que a objetificação da mulher persistirá. É essencial ressaltar que o baixo número de mulheres nessa área pode estar ligado ao fato de que o ambiente de trabalho nessas empresas é inegavelmente machista, pesquisa feita por diversas agências de publicidade brasileira aponta que 90% das mulheres que trabalham com publicidade já foram vítimas de assédio.
Outrossim, é imperativo pontuar que reforçar estereótipos e a hipersexualização do corpo feminino causa danos coletivos. Em uma sociedade patriarcal e machista, como a brasileira, campanhas como a da cervejaria Skol que estampou outdoors com os dizeres (sic) deixei o não em casa, tendem a incitar a persistência de determinadas violências contra a mulher e a influenciar, negativamente, a visão que as mulheres têm do próprio corpo levando essas a se alto objetificarem. Assim sendo, o papel da população é essencial, essa deve se posicionar contra campanhas que objetificam a mulher ou que reforçam a violência contra essa, denunciando-as á órgãos como o CONAR.
Destarte, cabe ao CONAR fiscalizar e multar agências de publicidade responsáveis por propagandas que transformam o corpo feminino em meros objetos. Para isso, deve criar campanhas que visem ensinar o público a reconhecer esse tipo de propaganda, além de criar um site exclusivo para que essa pessoas denunciem. Ademais, agências de publicidade devem trabalhar para que o assédio dentro do ambiente de trabalho seja combatido, com palestras e a elaboração de editais que visem contratar mais mulheres, assim, essas participaram do processo de criação de propagandas e a voz feminina ecoará mais alto em agências de publicidade. Com isso, a mulher alcançará o papel de sujeito na publicidade.