Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 09/11/2020

O filme “As sufragistas” retrata o início da luta do movimento feminista, no século XX, em que mulheres resistem à opressão da sociedade em busca de igualdade de condições entre os gêneros e de garantia pelo direito ao voto. No entanto, mesmo que a luta feminina esteja em ascensão, garantindo que elas sejam cada vez mais valorizadas, ainda há desafios a serem superados. Isso ocorre porque o histórico patriarcal continua sendo reproduzido na sociedade e há a objetificação da mulher pela mídia perpetuando estereótipos retrógrados.

Em primeiro lugar, cabe destacar a diminuição feminina no esporte pelos veículos midiáticos. A Copa do Mundo Feminina de 2019, disputada na França, teve grande destaque nos meios de comunicação por ser a primeira vez que esse tipo de campeonato foi televisionado na história. Esse acontecimento é de grande importância visto que após anos de luta, as jogadoras começam a atrair mais patrocínio e visibilidade indo de encontro ao pensamento preconceituoso propagado na sociedade e reforçado pela mídia de que a relação entre as mulheres e o esporte era a divulgação de “musas do futebol” ou de líderes de torcida.

Outro aspecto importante a destacar é como as propagandas ainda se utilizam da objetificação da figura feminina vinculadas à comercialização de determinado produto. Mesmo que atualmente haja uma diminuição de modelos vestindo roupas curtas e retratadas de forma sexual, os comerciais de bebidas alcóolicas utilizavam-se dessa técnica para atingir o seu público alvo: o gênero masculino. Entretanto, essa estratégia propagava uma inferiorização da mulher visto que atrelava a uma imagem de entretenimento. Assim, nota-se que a mídia ainda reforça padrões comportamentais propagados na sociedade.

Fica evidente, portanto, que as mulheres ainda são objetificadas pela mídia contemporânea e medidas devem ser tomadas para mitigar essa situação. Dessa forma, é necessário que o CONAR – Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – devido ao seu poder de criação de regras para a realização e veiculação de publicidade, deve fiscalizar as propagandas que sejam publicadas ou transmitidas nos veículos de comunicação por meio da rejeição de peças que não respeitem os direitos humanos e inferiorizem as mulheres. Assim, espera-se que não haja mais o estigma de preconceitos em relação à figura feminina e que estereótipos deixem de ser propagados na sociedade.