Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 12/11/2020
Entre os períodos da Primeira Guerra Mundial e o início da Segunda Guerra Mundial, por volta de 1920 até 1940, a sociedade era deliberadamente centrada na figura do patriarcado, de modo que as mulheres já eram sexualizadas no meio publicitário, como nos rótulos de cigarro da marca Marlboro, que ligavam sua imagem ao sexo e à luxúria. Sob essa ótica, é possível analisar que o uso da imagem feminina no âmbito publicitário as retrata como mero objetos, que podem ser moldados no intuito de vender produtos ao público masculino.
Em primeira análise, é importante salientar a banalização da mulher no marketing, em que criam estratégias publicitárias baseadas em estereótipos de corpo, roupas e comportamentos de tal público, visando o aumento do lucro das empresas em prol da perpetuação do falocentrismo do patriarcado. Desse modo, retratam-nas como um objeto de cunho sexual, em que são representadas como um ser inanimado,-objeto- voltadas unicamente para satisfação da libido masculina. Nesse viés, percebe-se que em pleno século XXI a sociedade ainda compactua com a ultrajante perpetuação do machismo, tornando necessária a constante autoafirmação do público feminino para a garantia de sua cidadania e equidade de direitos, que, como dizia Simone de Beauvoir: ‘’não se nasce mulher, torna-se mulher’’.
Outrossim, em meio a tal cenário de objetificação feminina, não são consideradas seus cunhos emocionais ou psicológicos, nem suas vontades próprias ou direitos, servindo como um alicerce à repudiada cultura do estupro. A esse respeito, os criminosos não consideram a vítima-mulher- como um ser humano, e sim como um meio de satisfação dos prazeres libidinosos, reiterando a teoria do filósofo Michel Foucault, de que o corpo é a superfície de inscrição do acontecimentos na sociedade. Dessa forma, tal degradante crime contra mulher se explica pelas raízes históricas deixadas pelo machismo, de subjugação de um gênero-feminino- em detrimento de outro,-masculino- compactuando diretamente com tais hediondos crimes de conjuntura arcaica e sexista.
Portanto, é mister que o Estado tome providencias para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira acerca da disseminação da figura da mulher como mercadoria na publicidade, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova debates e reflexões por meio da mídia social e televisiva para que mostre ao público como é desafiador o convívio em um âmbito social que lhes retrata como um objeto, com o intuito de mitigar as propagandas misóginas. Somente assim, o artigo 3 da Constituição federal irá cumprir-se, garantindo uma sociedade justa, livre e solidária , além de assegurar que o mulherio tenha direito sobre suas respectivas escolhas e -não menos importante- sobre o próprio corpo.