Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 05/05/2021

De acordo com a plataforma G1, 97% das mulheres já sofreram algum tipo de abuso sexual. Sob essa ótica, percebe-se como a maioria da população feminina já foi vista como objeto, fato que acontece, principalmente, na publicidade. Nesse viés, o passado patriarcal aliado à falta de representação feminina em cargos de chefia, são fatores contribuintes para a objetificação da mulher na publicidade. Dessa forma, são prementes debates acerca dos impactos desse problema recorrente na sociedade, em nome da valorização feminina.

A princípio, vale destacar que o histórico patriarcal da sociedade causa a objetificação da população feminina. Nesse contexto, um estudo da Harvard demonstra que, ao ver fotos de mulheres, a parte do cérebro capaz de diferenciar pessoas e objetos de alguns homens mostra que muitos identificam as mulheres como objetos. Dito isso, é notório como em grande parte da população masculina já enraizou-se a imagem do sexo feminino, apenas como fonte de dinheiro. Isso porque, desde a época em que os homens caçavam e suas parceiras cuidavam da casa e dos filhos, a população feminina já era taxada como inferior e dispensável, porém, hoje, essa visão persiste, com mulheres sendo descartadas, quando não são mais consideradas úteis. Assim, muitas se tornam vítimas de violência em suas próprias casas, o que pode, até mesmo, levar à morte, por parentes e maridos que se colocam em posição de superior.

Outrossim, a carência de figuras femininas em cargos de chefia leva à objetificação da mulher na publicidade. Nessa perspectiva, vê-se em séries, como Suits e Grey ’s Anatomy, mulheres na posição de chefe de grandes empresas. Entretanto, fora da ficção, não se encontram muitas pessoas do sexo feminino nesses cargos de poder. Isso porque, em maioria, dirigentes de grandes empresas são homens, segundo o Ibope Inteligência, o que leva a uma tendência de requisitar mulheres, em uma conotação sexual, para propagandas, imagem que poderia ser dizimada se mais pessoas do sexo feminino ocupassem cargos dirigentes. Desse modo, os salários também sofrem influência, devido a essa visão objetificada da mulher internalizada na sociedade, acarretando uma desigualdade, mesmo que mulheres trabalhem de forma igual, ou até mesmo melhor em relação aos homens.

Infere-se, portanto, que o passado patriarcal e a carência de mulheres como dirigentes potencializam essa problemática. Logo, é basilar que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos promova campanhas de combate à objetificação da mulher, mediante uma parceria com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, voltada para a proibição de comerciais com a exposição feminina, com o fito de mitigar o uso de pessoas do sexo feminino para fim lucrativos. Assim sendo,  a porcentagem de mulheres vítimas de abuso sexual não aumentará.