Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 28/08/2021

Em algumas cenas do filme “Malena”, durante 1940, um grupo de garotos ficam admirados com a beleza de Madalena Scordia a ponto de seguí-la nas ruas, o que causa um grande desconforto — até mesmo ao telespectador. De maneira análoga, assim como a personagem, inúmeras mulheres ainda passam por esse mesmo tipo de situação constrangedora, o que é encarado, de certa forma, como algo natural em muitos conteúdos dos veículos de informação. Nesse viés, por reflexos históricos e por uma má influência midiática, emerge um grave problema: a objetificação da mulher na publicidade.

Diante desse cenário, vale destacar que a forma como o feminino era visto no passado reflete, diretamente, no patriarcalismo atual. À vista disso, inúmeras figuras femininas foram apagadas e esquecidas da História, como a Olimpe de Gougers — uma das pioneiras da Revolução Francesa, no século XVIII —, já que, na época, elas não tinham muita representatividade. Diante disso, mesmo após séculos, o resgate histórico delas ainda não foi realizado, uma vez que a sociedade ainda sofre de um machismo estrutural muito forte, o que é evidenciado, por exemplo, na forma como as mulheres são retratadas na mídia: muitas vezes, sexualizadas e objetificadas. Logo, enquanto essa tóxica visão acerca do feminino for realidade, a igualdade de gênero será exceção.

Nesse contexto, é importante salientar que a forma como a mulher é retratada na mídia é algo que contribui ao patriarcalismo. Sob esse ângulo, conforme a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Sendo assim, ao se observar o ambiente midiático, nota-se que, inúmeras vezes, é comum que existam mulheres hipersexualidas — sempre satisfazendo as vontades masculinas —, como em vários comerciais de bebidas alcoólicas. Sendo assim, as consequências desse panorama é a corroboração de um estigma voltado ao gênero feminino como servente do masculino, o que é evidenciado nos casos de assédio e de feminicídio. Assim, um possível caminho para combater esse obstáculo é romper o principal entrave denunciado por Arendt: a banalidade do mal.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — precisa desenvolver um projeto pedagógico, por meio de uma nova matéria na grade escolar, a qual aborde os principais impasses do século XXI, como o machismo, a fim de tornar as novas gerações mais engajadas na luta por igualdade de gênero. Além disso, é essencial que a própria mídia, por intermédio de lives nas redes sociais, por exemplo, no Instagram, apresente ao público a importância do debate sobre a forma como o corpo feminino é materializado nos meios de comunicação, com o intuito de fazer a população repudiar qualquer tipo de comportamento misógino. Dessa forma, espera-se frear a objetificação da mulher na publicidade.