Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 10/09/2021

Quando falamos de objetificação da mulher, geralmente estamos abordando a banalização da imagem do seu corpo, principalmente na publicidade, em que ele aparece como atrativo sexual e chamariz para o consumo de algum produto para o público. Com isso, cresce a visão do sexo feminino como mero objeto a serviço do desejo sexual masculino e do seu próprio em corresponder a modelos e padrões estéticos, o que ajuda a espalhar o desrespeito, visto o aumento do número de casos de abusos e estupros no cenário brasileiro.

Apesar dos avanços na conquista de igualdades sociais entre gêneros, essa “coisificação” da mulher nos anúncios publicitários ainda é reflexo do histórico patriarcado machista do Brasil. Como exemplo, podemos citar o comercial de televisão da cerveja Itaipava, que tinha como “slogan” a frase “Vem Verão”, colocando no vídeo a moça e a bebida como dois prazeres para consumo pelos homens. Mas também não podemos deixar de citar as propagandas voltadas para o próprio público considerado “sexo frágil”, como o de cosméticos, ao forçar uma estética impossível de ser alcançada e de produtos de limpeza para uso doméstico, que coloca esse sexo como o único protagonista nessas tarefas, contribuindo para essas doutrinações.

Além disso, a vulgarização da figura feminina na propaganda midiática é tão habitual que ainda muitas pessoas acham “normal” e não têm consciência do quanto tudo isso interfere no aumento do número de casos de violência, não só física como psicológica, contra a mulher, levando a casos de  depressão, desordens alimentares, disfunção sexual, desvalorização social e baixa autoestima.

Portanto, é incontestável que a publicidade é poderosa e tem grande efeito na pessoa e na sociedade. Sendo assim, é preciso que o governo através do Ministério das Comunicações e de órgãos controladores das mídias como o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) proíbam e punam com multas a veiculação dessas imagens apelativas pelo “marketing” das empresas que só visam lucro em prejuízo do bem-estar social.

Também as escolas, não só nas aulas de História, Sociologia, Psicologia ou Antropologia, sugerir e até mesmo disponibilizar aos alunos documentários e palestras a respeito do tema para posterior debate e discussão. Assim, esses poderão reconhecer essas propagandas preconceituosas, com duplo sentido e em protesto repudiar, boicotar o consumo de produtos vinculados a elas, além de se envolverem numa política ativista para desconstruir esses padrões históricos de desrespeito. Pois, conforme mostra o documentário com o título traduzido para o português, “Nos Matando Discretamente”, que quando a pessoa é desumanizada a violência torna-se inevitável.