Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 14/09/2021

O termo “Incel” - grupo geralmente composto por usuários do jogo “League of Legends" e pelos chamados “otakus” - tem sido popularizado ultimamente, no qual se trata de homens que alegam terem se tornado involuntariamente celibatários devido ao comportamento das mulheres atualmente. Nesse sentido, nota-se a forma na qual as mulheres são vistas por muitos indivíduos na sociedade. Paralelamente, na publicidade, tal como nos ideais dos “incels”, a objetificação feminina é uma problemática em evidência - e que está atrelada não somente ao papel socialmente imposto às mulheres, como também à influência capitalista de consumo.

A princípio, cabe destacar o lugar atrelado à mulher na sociedade como uns dos fatores colaborantes para esse impasse. Nesse sentido, o divertido filme “Eu não sou um homem fácil” inverte os papéis sociais de gênero, de forma que o protagonista passa a sofrer as consequências do “femismo”. Com isso, faz evidente a mudança de ideais que o personagem apresenta ao longo da narrativa. Contudo, na realidade contemporânea, métodos empíricos de vivências distintas não são de fácil acesso, o que, infelizmente, colabora com o déficit empático e a persistência de ideologias patriarcais que mantêm a mulher objetificada - notório especialmente em comerciais de marcas de cerveja. Sendo assim, infere-se que é necessário que medidas governamentais sejam tomadas para minimizar esse óbice.

Além disso, o consumo indissociado estimulado pelo capitalismo também também é cabível a esse tema. Isso ocorre porque - como defendido pela professora ativista Rita Von Hunty - esse sistema prioriza a economia em detrimento de qualquer outro aspecto - seja ele social ou não. Desse modo - tendo o citado comercial de cerveja como exemplo -, a sexualização feminina tende a atrair consumidores, então, lamentavelmente, torna-se pouco provável que isso seja espontaneamente superado. Sob esse viés, é inaceitável a permanência desses ideais supérfluos e ultrapassados, fazendo-se necessário a devida atenção a essa problemática.

Portanto, torna-se imprescindível que o Estado colabore para o fim dos estigmas de papéis sociais de gênero e objetificação comercial. Para tanto, o Ministério da Cidadania deve, com o fim de informar e alertar a população, promover, por meio de propagandas televisivas e palestras públicas, campanhas de incentivo ao empoderamento feminino. Ademais, essa campanha deve conter referências bibliográficas de mulheres que colaboraram para a ascensão dos direitos femininos - como a Simone de Beauvoir -, para que, então, indivíduos como os “incels” tenham a oportunidade de rever seus pensamentos.