Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 06/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito ao respeito e bem-estar como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado adequadamente na prática, quando se observa a objetificação da mulher, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social crucial. Diante disso, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Nesse cenário é importante considerar o fator grupal. De acordo com o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa – ou seja, o diálogo – constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a ausência de debates a respeito da objetificação da mulher no Brasil hodierno, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, ocasiona em uma sociedade que desconhece a grandeza do problema, e assim, replica atitudes patriarcais contra as mulheres, visto que geralmente são objetificadas nas propagandas como um mero meio de prazer ou beleza, não refletindo a singularidade na realidade, acarretando em um abuso físico e psicológico em boa parte das mulheres. Destarte, discorrer a problemática é o primeiro para a consolidação do progresso sociocultural habermaseano.

Ademais, a omissão da mídia quanto a idealização da mulher nas propagandas é outro fator que corrobora com a problemática. Nesse viés, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa óptica, a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre como a transformação da mulher em produto as afeta, tanto em nível social, tal como o desrespeito por parte dos homens que as assedia, e também em nível psicológico, pelas propagandas promoverem nelas a sensação de que deveriam se parecer com aquela idealização, acaba contribuindo com a falta de conhecimento da sociedade sobre a problemática, já que ela ganha com a promoção dessas propagandas, influenciando na consolidação do problema. Sendo assim, é inadmissível que esse cenário se mantenha.

Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com psicólogos, mostrar as reais consequências do problema, e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, trazer o assunto em salas de aula para que desde cedo os indivíduos possam discernir o certo do objetificado. Assim, o respeito será devidamente garantido.