Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 29/10/2021

Durante a literatura barroca no século XVII, a figura feminina foi edificada para um instrumento de sedução, na poesia “ À mesma Dona Ângela “, o autor Gregório de Matos se refere a elas “Se a beleza hei de ver para matar-me com o pecado, antes olhos cegueis”. No entanto, a visão antiquada se sobressai, sendo, a mulher, ainda hoje, vista como objeto sexual e, um exemplo disso, é como ela é retratada na publicidade brasileira - um quadro perpetuado pelo machismo estrutural presente na sociedade contemporânea, gerando, assim, problemas para a mulher e para o corpo social brasileiro. Logo, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Diante desse cenário, vale ressaltar que o renomado filósofo Karl Marx, afirma que o capitalismo prioriza lucros em detrimento de valores, ou seja, a hipersexualização da mulher, principalmente em anúncios destinados ao público masculino, chama a atenção do consumidor e, consequentemente, leva à compra do produto. Contudo, infelizmente, as empresas não se importam com as consequências nocivas para a mulher e em como ela é vista pela sociedade. Logo, é evidente que o machismo estrutural e a mentalidade capitalista presente na nação verde-amarela contribui para a naturalização do tema.

Ademais, na pós-modernidade, os fluxos de informação tornaram-se progressivamente mais intensos e velozes, permitindo que, em alguns segundos, um anúncio pode se espalhar com uma rapidez irrefutável, já que, de acordo com o App Annie Intelligente , a média brasileira é de 5,4 horas por dia nos smartphones. Sendo assim, a fácil exposição a esse conteúdo gera problemas de autoestima, criando um padrão e favorecendo o aumento de procedimentos estéticos, visto que, segundo o Itikawa, 87% da procura das cirurgias plásticas é por mulheres. Desse modo, é perceptível como a intensidade da propaganda influência na mentalidade do ser.

É inaceitável, portanto, que exista uma parcela significativa da sociedade afetada pelo impasse. Destarte, é necessário que o Poder Legislativo - órgão responsável pela criação e manutenção das leis -, por intermédio das verbas governamentais, proíba a utilização desnecessária e apelativa da mulher sexualizada na publicidade, com intuito de acabar com a objetificação da mesma. Desse modo, o sexo feminino deixará de ser visto como instrumento de sedução, como retratado na literatura barroca.