Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 29/10/2021

Apesar de ser um debate atual, a objetificação da mulher é algo presente na sociedade a muito tempo. Na Grécia antiga, o papel da mulher era restrito aos afazeres domésticos e à reprodução. Na atualidade, mesmo que o problema seja menos grave, ainda é muito preocupante, uma vez que é perceptível a objetificação feminina, sobretudo na publicidade. Assim, é importante debater as raízes de tal problemática, bem como seus efeitos para o tecido social, com o objetivo de propor medidas que atenuem tal questão.

Em primeiro plano, é importante destacar a visibilidade lucrativa como elemento causador de tal objetificação na publicidade. Acerca disso, é importante trazer o discurso do sociólogo Karl Marx, o qual afirma que a priorização lucrativa, no modo de produção capitalista, sempre gera problemas para a sociedade. Nesse viés, percebe-se a relação entre o pensamento filosófico e o debate em questão, já que a objetificação da mulher na publicidade está atrelada à obtenção de capital. Prova disso é uma propaganda da cerveja Itaipava, na qual uma mulher seminua serve a bebida para três homens, situação que popularizou o slogan " vai verão, vem verão" e alcançou expressiva rentabilidade para a marca da bebida.

Ademais, vale ressaltar a manutenção de posturas machistas na sociedade como sendo reflexo da objetificação da mulher na publicidade. Isso porque, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, no conceito de banalidade do mal, a naturalização do preconceito acaba por gerar uma sociedade conservadora e, nesse caso, machista. Tal questão pode ser observada numa pesquisa publicada pelo portal de notícias “Carta Capital”, a qual mostra que, pelo menos 40% dos homens ainda acham que as atividades laborais femininas devem se restringirem à vida doméstica, o que reforça a relação entre o resultado da pesquisa e a normatização da mulher, na publicidade, como alguém que deve atender aos anseios masculinos. Dessa forma, fica claro o quanto a objetificação da mulher ainda tem a ver com o pensamento machista instituído socialmente.

Destarte, é preciso que medidas sejam implementadas à sociedade brasileira, a fim de desconstruir a objetificação da mulher na publicidade. Para isso, a Defensoria da mulher, por ser um órgão apto a    resolver questões relacionadas às mulheres, deve, por meio de palestras nas escolas, evidenciar o que é a objetificação feminina e, além disso, deixar claro como pode ser evitada. Tal ação terá a finalidade de despertar a criticidade dos estudantes em relação ao problema abordado e, consequentemente, evitar a priorização do lucro em detrimento da manutenção do respeito às mulheres. Feito isso, a realidade contemporânea não mais se assemelhará àquela observada na Grécia antiga.