Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

De acordo com o Ministério da Saúde, hodiernamente, cerca de 1,6% da população brasileira doa sangue regularmente. Embora a quantidade coletada anualmente seja considerada, pelo mesmo órgão, suficiente, o número de doadores é menor que o recomendável pela Organização das Nações Unidas (OMS ). Esta ratifica que a porcentagem ideal é entre 3% e 5%. Logo, nesse sentido, deve-se analisar como a cultura do individualismo somado a falta de informação influenciam para manutenção dos obstáculos em relação a doação de sangue no Brasil.

Primeiramente, o exacerbado individualismo é o principal responsável pelo escasso número de doadores de sangue no país.Isso acontece porque, na pós-modernidade , as pessoas , conforme defendeu o sociólogo Zygmunt Bauman na obra " Amor Líquido", buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Assim, consequentemente , essa fragilidade nos laços afetivos desencadeia o individualismo a qual é potencializado , por causa da ausência de compaixão e solidariedade com o próximo. Nesse sentido, a frase do escritor Franz Kalfa é pertinente, pois afirma que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Em suma, um simples auxilo, com o ato de doar sangue, demonstra empatia com o outro e simultaneamente pode salvar vidas.

Outrossim, nota-se, ainda, que a falta de informação sobre o processo de doação também é responsável pelos baixos índices de doadores. Isso reflete, segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do hemocentro coordenador do Estado do Rio de Janeiro, que a doação de sangue ainda é cercada de mitos.Como exemplo, muitas pessoa acreditam-erroneamente- que, ao doarem uma vez, precisarão doar sempre. Ademais, também acreditam que poderão contrair alguma doença durante a coleta ou até engordar. Dessa forma, a ausência de conhecimento, torna-se o ato de doar cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.

Evidencia-se, portanto, que os obstáculos para doação de sangue no Brasil, precisam ser superados. Em razão disso, o Ministério da Educação , em parceria com as escolas , deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas, com intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o ato de empatia. Além disso, o Ministério da Saúde deve disseminar, nos meios de comunicação, propagandas que, além de incentivar a população a doar sangue, informe à população como, de fato, é o processo de transfusão. Dessa maneira, a nação verde-amarela poderá alcançar o número recomendável pela ONU, logo, a doação de sangue deixará de ser um empecilho no país.