Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/08/2018

No século XIX, o sociólogo Émile Durkheim disseminou um pensamento segundo o qual a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos os componentes deveriam viver em harmonia para que fosse possível conquistar o bem-estar geral. Sob essa ótica do pensador francês, no entanto, o Brasil caminha lentamente para atingir o equilíbrio nacional, visto que ainda existem obstáculos para doação de sangue no Brasil. Tal situação acontece primordialmente pela inoperância estatal e pela mal formação de valores dos setores da sociedade civil.

Nesse perspectiva, é necessário constatar que o Estado falha quando não promove campanhas públicas de conscientização para população, o que caracteriza um dos principais limitadores para o aumento de transfusão de sangue no país. Além disso, é preciso formar cidadãos com responsabilidade social desde cedo; em contrapartida, o Brasil não se prepara para captar o doador desde criança nas escolas, através de palestras educativas que incentivem esse ato. Nesse sentido, essa caótica realidade rompe com o artigo 6 da Constituição Federal, o qual afirma ser dever da União garantir educação, saúde e assistência aos desamparados.

Outrossim, destaca-se ainda como impulsionador do problema, a falta de conhecimento sobre a importância da transfusão sanguínea, o que caracteriza como um dos principais obstáculos existentes. Desse modo, isso faz com que se difunda cada vez mais mitos em relação à doação de sangue, de maneira a dificultar o aumento do número de doadores, já que, segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 1,6% da população faz esse tipo de benefício que pode salvar vidas. Logo, é imprescindível a atuação estatal e social para que tais entraves sejam superados.

Portanto, para que o Brasil seja mais articulado tal qual um “organismo vivo”, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em ampliação do acesso à informação, através de palestras ministradas por especialistas na área (como médicos e biomédicos), com o intuito de fornecer a base para a desconstrução  de discursos que desvalorizem a importância da doação de sangue. Paralelamente, é dever do Poder Executivo, sobretudo na voz das prefeituras, promover a ampliação de espaços de coleta de sangue na cidade, por meio de investimentos financeiros, os quais serão revertidos na construção Hemocentros, com vistas à construção gradativa de uma sociedade mais harmônica e consciente.