Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
A história da doação de sangue no Brasil começa em 1879, com o primeiro relato acadêmico sobre Hemoterapia no País. A tese de doutorado, apresentada por José Vieira Marcondes, descreve experiências com transfusões de sangue realizadas até a época e discute se o melhor procedimento seria a do animal para o homem ou a entre seres humanos. Nessa conjuntura, o ideal seria que todos os cidadãos aptos a doar o fizessem. Entretanto, ainda há vários empecilhos para que tal ato seja corriqueiro, tanto pela falta de informação quanto pelo preconceito.
Primordialmente, a escassez de instrução é um dos motivos para baixa adesão as campanhas de doação de sangue, visto que mesmo a ONU- Organização das Nações Unidas- considerar como ideal de 3 a 5% da população como doadora, no Brasil a falta de investimento em conscientização, desde a educação básica, faz com que essa porcentagem fique bem abaixo do esperado. Consequentemente, os estoques nos hemocentros, principalmente em épocas críticas do ano como férias e festas de São João, acabam diminuindo, colocando, dessa forma, o direito à vida de muitos, garantido pela Constituição, em risco.
Concomitantemente a essa falta de informação, o escritor Franz Kafka afirmava que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana, corroborando-se a necessidade de cultivá-la. Entretanto, ao negar aos homossexuais, mesmo quando comprovado não possuírem qualquer tipo de doenças transmissíveis, o direito de doar sangue, não apenas se está denegando o exercício de uma virtude a uma parcela da população, mas também o direito de salvar vidas, por puro preconceito.
Existe, portanto, vários obstáculos no que diz respeito a doação de sangue no Brasil. Para que haja mudanças a mídia tem papel imprescindível na exposição de dados informativos sobre as campanhas de sangue, seja na televisão e internet, seja em áreas físicas, como outdoors. Logo, os cidadãos seriam incentivados a exercerem a solidariedade. Ademais, o governo, em parceria com a OMS- Organização Mundial da Saúde-, deveria alterar as leis que excluem os homossexuais da doação e investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Dessa forma, o número de voluntários aumentaria e ajudaria aos pacientes que carecem de transfusão sanguínea.