Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
A Lei 10.205 de 2001 que instituiu a Política Nacional de Sangue representou um mecanismo imperioso no âmbito operacional de todos os processos relacionados ao sangue, da coleta até o processamento. Entretanto, a expansão da doação de sangue no Brasil ainda perpassa um cenário desafiador, tendo em vista a negligência de investimentos do poder público e a carência de altruísmo na esfera social. Nesse contexto, é pertinente analisar os desafios da doação de sangue no país.
Em primeira análise, a falta de atuação do Estado inviabiliza a promoção da doação. Isso porque a deficiência estrutural no segmento dos hemocentros centraliza o serviço e impõe dificuldades para que a população possa realizar a doação, a considerar que muitos municípios do país não dispõem de locais próprios para a coleta. Assim, a necessidade do indivíduo em ter que se deslocar para cidades vizinhas atua como um fator desestimulante para os doadores. Outrossim, a pouca periodicidade das campanhas por parte do Ministério da Saúde não repassa para a sociedade o déficit contínuo nos estoques de sangue, tampouco a necessidade da doação como um fator primordial para manter os volumes sanguíneos estáveis. Dessa maneira, o Brasil ainda encontra dificuldades em atingir a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que é de 2% da população nacional sendo voluntária, haja vista que somente 1,6% dos brasileiros são doadores, conforme dados da própria OMS.
Além disso, é válido ponderar como a falta de altruísmo representa um dos intempéries para o quadro. De acordo com o filósofo Augusto Comte o termo “altruísmo” caracteriza um conjunto de disposições individuais ou coletivas que predispõem os seres humanos a se dedicarem uns aos outros. Nesse sentido, o individualismo atua como um forte precursor a pouca adesão, visto a falta de debate. Isso porque muitos indivíduos somente levam em conta a importância da doação de sangue quando algum familiar ou conhecido precisa passar por um procedimento que envolva transfusão. Logo, a escassez de ações voluntárias, reflexo da incapacidade de alguns cidadãos em estabelecer a importância do ato de doar sangue na vida dos receptores, inviabiliza uma mudança comportamental. Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas capazes de mitigar os obstáculos para a doação de sangue. Assim, o Ministério da Saúde deve por intermédio de mais investimentos, equipar as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), para que em parceria com os Hemocentros, possam ser locais de doação de sangue, a fim de facilitar o acesso aos doadores e prestar informações sobre o procedimento. Por fim, cabe a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, a promoção de campanhas nas redes sociais, tendo foco na importância da doação, sobretudo, para as pessoas que realizam transfusões constantes, com o fito de estabelecer a relevância dessa ação social.
estabelecer a relevância dessa atitude na promoção da vida.
de na promoção da vida.