Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 29/08/2018
A série Greys Anatomy evidencia a necessidade de se ter várias bolsas de sangue à disposição para serem usadas durante cirurgias. Dessa maneira, em uma de suas cenas, um interno teve que doar seu sangue diretamente de sua corrente sanguínea para sua paciente em uma emergência, isso sem que o material fosse analisado antes. Outrossim, longe das ficções, isso não pode ocorrer, pois sabe-se que, a análise do material é feita de forma minuciosa para evitar que o receptor receba sangue contaminado. Além disso, nem sempre os hemocentros do país encontra-se abastecidos de forma suficiente para atender a demanda. Dessarte, é indubitável que, infelizmente, esse déficit está relacionado com o fato de que grande parte dos homossexuais são proibidos de doarem sangue. Por meio disso, o Brasil padece a falta de dezenove milhões de bolsas que seriam provenientes desses cidadãos. Logo, ações governamentais são necessárias, visando a enfrentar o impasse supradito.
Ademais, é sabido que o sangue arrecadado nos hemocentros brasileiros, ainda não são suficientes. Segundo o site G1.com, o Ministério da Saúde (MS) advertiu que as doações por homossexuais só seriam possíveis se eles não tiverem tido relações sexuais com outro homem em menos de doze meses. Ademais, a medida supracitada, faz com que cerca de dezenove milhões de bolsas de sangue deixem de ser arrecadadas anualmente, fato esse que preocupa bastante, pois de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas dois por cento dos doadores são voluntários e a maior parte das doações são endereçadas à um familiar ou amigo.
Desse modo, é notório que além das pouquíssimas doações voluntárias, parte delas ainda são barradas. Além do mais, a medida drástica tomada pelo MS fere absurdamente o artigo quinto da Constituição Federal Brasileira, pois ela assegura que todos são iguais perante a lei. Logo, no que tange ao cumprimento das leis constitucionais, o Brasil ainda encontra-se retrógrado e sem fundamentos, pois não há justificativas que comprovem a inaptidão dos cidadãos vilipendiados por sua orientação sexual, quando apenas estão tentando fazer um ato humano e de amor ao próximo.
Destarte, medidas são cabíveis para a resolução da problemática citada acima. É dever do Governo, em associação com o MS reformular os requisitos para a doação de sangue, no qual um cidadão inapto por ter tido relações sexuais com outro homem em menos de um ano, passaria a estar apto para doar, caso tivesse uma relação estável com o parceiro há mais de doze meses, bem como usar camisinha em todas as suas relações de cunho sexual. Com o intuito de que essa parcela da população não fique restrita às doações e que os hemocentros do país possam aumentar consideravelmente seus estoques de sangue.