Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 27/08/2018
Na obra “A República” (380 a.C.), o filósofo Platão idealiza uma organização política pautada em uma harmonia social completa, livre de conflitos e adversidades. Desde então, essa filosofia impulsionou o desejo das nações de alcançarem esse feito. Entretanto, atualmente, os obstáculos para a doação de sangue têm afastado o Brasil na conquista desse objetivo. A partir disso, é valido analisar os aspectos políticos e psicanalíticos que envolvem esse entrave.
De início, ressalta-se que o poder governamental mostra-se inerte ao não garantir a estrutura dos hospitais públicos. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro nesses ambientes, faltando profissionais e equipamentos hospitalares, fatores que impedem a realização do procedimento de doação sanguínea. Constata-se, desse modo, que o contrato social foi rompido, já que segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado manter o bem-estar de toda a coletividade.
Ainda, pontua-se que o indivíduo, de acordo com a teoria psicanalítica de Sigmund Freud, vive em constante conflito entre os impulsos inconscientes (Id) e a consciência dos limites sociais (Superego). Assim, a pessoa pode sentir o desejo de realizar uma doação de sangue. Porém, o mito espalhado de que ela pode contrair uma doença mostra-se como um elemento que limita esse ato humanitário. Logo, falta a conscientização sobre o processo de transfusão sanguínea.
Evidencia-se, portanto, que os entraves para a doação devem ser combatidos. Por isso, é preciso que o Poder Executivo, em conjunto com o Ministério da Saúde, aumente os investimentos nas áreas hospitalares, com a contratação de mais profissionais do meio e comprando novas máquinas médicas, a fim de diminuir as barreiras que impeçam a realização da transfusão de sangue. Além disso, é importante a atuação de organizações não governamentais, em parceria com o Ministério da Educação, na criação de programas estudantis que promovam a criação de um senso crítico em relação à esse processo clínico, na intenção de derrubar as mentiras que possam limitar essa prática que pode salvar uma vida. Com isso, seria possível se aproximar dos ideais utópicos propostos por Platão.