Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
Políticas a favor da doação de sangue
Para o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Desse modo, para que os estoques de sangue dos hemocentros sejam constantemente abastecidos, faz-se necessário o incentivo contínuo da população em relação à doação voluntária de sangue. Entretanto, a restrição de homens com relações homoafetivas de doarem sangue contraria esse processo de ser solidário, além de reduzir as chances de salvarem-se vidas.
Convém ressaltar, que os acidentes de trânsito, o envelhecimento populacional, o surgimento de patologias, o aumento no número de cirurgias, a ascensão dos casos de câncer e a evolução da medicina, elevam os índices de transfusões de sanguíneas. Em decorrência desse cenário, há rápida redução das reservas de sangue e hemoderivados nos bancos de sangue. Contudo, há muitos anos, no Brasil, era mais fácil restituir esses estoques, pois a pessoa que cedia sangue recebia uma quantia em dinheiro. Nesse ínterim, ocorriam diversos problemas devido à transmissão de doenças para o receptor, visto que, não havia restrição na recrutação de pessoas, as quais faziam dessa prática um meio de sustento. Condigno, essa ação foi proibida, o que melhorou a segurança transfusional.
Não obstante, a proibição de homossexuais em doarem sangue vai de encontro com as premissas supracitadas. Porquanto, essa decisão do Ministério da Saúde baseia-se em dados epidemiológicos, os quais mostram uma prevalência acima de 10% na população homossexual masculina jovem e com a maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis, como Aids e hepatite. Todavia, essas doenças também são transmitidas por pessoas heterossexuais e o critério de seleção não pode ser a orientação sexual, mas sim a condição de saúde do doador.
Diante do exposto, entende-se a real necessidade de campanhas educativas que conscientizem a população a respeito da importância da doação de sangue, por meio da mídia televisiva, internet ou outdoors. Além disso, os governantes, em parceria com a Organização Mundial da Saúde, devem reformular as normas que regem tal tema a fim de permitir a doação de sangue pelos homossexuais masculinos. Ademais, é mandatório o governo investir em tecnologia para detectar doenças no sangue em qualquer fase de sua evolução e inibir a sua transmissão ao receptor. Sendo assim, com informação, incentivo e meios de garantir maior segurança no processo de doação e transfusão sanguínea, mantêm-se as reservas abastecidas, salvam-se vidas e permite-se a todos o direito de exercer a solidariedade.