Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

Saúde fragilizada

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos à saúde. Entretanto, os desafios para a doação de sangue no país, ocasionados pela existência de uma sociedade individualista e baixo incentivo à cultura de doação, impedem que parcela da população usufrua desse direito na prática. Com efeito, faz-se necessário pautar, em pleno século XXI, os desdobramentos dessa faceta caótica e seus prejuízos para o Brasil.

Em primeira instância, a prosperidade da doação sanguínea encontra obstáculo em um corpo social individualista. A esse respeito, o filósofo Adam Smith afirmava, em linhas gerais, que as ambições individuais levam a nação ao progresso e orientava que o indivíduo abrisse mão da benevolência, a fim de que se conquistasse a evolução nacional. Todavia, a ideologia liberalista de Smith não deve ser aplicada à realização de doações de sangue, sob pena de graves danos a toda a comunidade.

De outra parte, o sociólogo Karl Marx disserta sobre a inescrupulosa atuação do Estado, que assiste apenas a classe dominante. Nesse sentido, o Ministério da Saúde não desempenha com eficácia o seu papel, uma vez que o baixo fomento à doação de sangue faz com que apenas 1,8% dos brasileiros sejam doadores, índice abaixo do recomendado pela ONU, que é de 3 a 5%. Todavia, enquanto a ineficiência governamental se mantiver, a pátria será obrigada a conviver diariamente com um dos mais graves impasses para o Sistema Único de Saúde: a fila de espera.

Urge, portanto, que o direito a saúde seja, de fato, assegurado, como prevê a Carta Magna de 1988. Nesse contexto, o Ministério da Saúde, por intermédio de projetos sociais estratégicos com enfoque voltado para a relevância das transfusões para os paciente que as recebem, deve incentivar aos cidadãos a doarem sangue, com o objetivo de atingir um maior nível de conhecimento e interesse por parte da população. À mídia televisiva, cabe utilizar-se de sua capacidade de propagação de informação para difundir campanhas governamentais, sobretudo em horário nobre, com o intuito de reforçar as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde, visando a desestimular a cultura do individualismo, que se mostra uma dificuldade para a doação sanguínea. Com essas iniciativas, a fila de espera será reduzida, o número de doadores de sangue acrescido, e muitos cidadãos deixarão de ter, na prática, sua saúde fragilizada.