Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
O Naturalismo foi uma corrente literária que costumava, em suas obras, analisar comportamentos particulares de cada indivíduo e seus efeitos no coletivo. Atualmente, no Brasil, pode-se dizer que um dos comportamentos individuais mais prejudiciais ao meio social como um todo, é o preconceito. Ademais, os efeitos negativos desse tipo de comportamento podem ser vistos nos preocupantes índices de doação de sangue em solo nacional. Isso se deve, principalmente, ao tom intolerante nas cartilhas em relação às restrições de doação, assim como a omissão governamental no que tange à informação sobre o assunto, o que impede o aumento no índice das doações e representa graves consequências para doadores e receptores pelo país.
Seguramente, o tom intolerante retratado nas informações compartilhadas nas cartilhas de doação é um dos empecilhos para a resolução da problemática. Isso se dá, pois, desencoraja a ação de homossexuais que poderiam estar aptos a doar, mesmo que, segundo dados da Anvisa, os hemocentros do Brasil sejam um dos mais seguros no mundo, dificultando a transmissão de possíveis doenças que possam vir a ser detectadas. Esse preconceito retratado acaba desperdiçando muito do material coletado, que, com fiscalização correta, seguindo as normas orientadas para garantir a qualidade do sangue, poderia salvar muitas vidas posteriormente.
Outrossim, pode-se citar como um dos obstáculos para a resolução da temática, a omissão estatal no que tange à transmissão de informações acerca do assunto. Pode-se afirmar que a população ainda tem certos estigmas em relação à doação, como a crença de que há riscos de contração de doenças durante o processo de coleta ou que o ato de doar sangue pode engordar, dois fatores evidenciados na fala da chefe de atendimento do HemoRio, Naura Faria. Portanto, segundo Sócrates, “Os erros são fruto da ignorância humana”, assim, percebe-se a necessidade de uma mudança de pensamento à nível social para que haja resolução eficaz do impasse.
Destarte, é necessário que o Ministério da Saúde realize uma mudança na maneira como as restrições são transmitidas, deixando claro o processo de fiscalização ao qual o sangue será exposto, com o objetivo de impedir que isso prejudique o índice de doações e nem desencoraje potenciais doadores. Ademais, urge também que o órgão de Direitos Humanos, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), crie campanhas de conscientização, transmitidas por meios de redes sociais como o Facebook para que se garanta um maior alcance do conteúdo, com o objetivo de desfazer os mitos criados acerca da coleta de sangue e incentivar as doações. Só assim o Brasil poderá garantir a dignidade de doadores e receptores que venham a existir no futuro.