Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 31/08/2018

A doação de sangue é um exemplo de ato viabilizado pelas veias insaciáveis das pesquisas medicinais. Entretanto, esse avanço na área científica - que em muitos casos têm a capacidade de salvar vidas - não atinge de forma máxima os possíveis doadores, visto que muitos cidadãos são acometidos pela negligência sobre a importância da transfusão sanguínea aos donatários. Desse modo, deve-se analisar como a falta de incentivo e o egoísmo dificultam a doação de sangue no Brasil.

A priori, é evidente que a carência de campanhas sobre doação de sangue na mídia serve como barreira para a concretização desse ato. Isso pode ser considerado porque, apesar de múltiplos incentivos sobre as vacinações na televisão, rádio e redes sociais,  pouco se observa estímulos sobre a transfusão sanguínea circulando nesses meios de comunicação. Esse fato é comprovável, pois, apenas 1,5% da população brasileira é doadora e , segundo a Organização das Nações Unidas, o ideal está na faixa de 3 a 5% do tecido nacional. Em decorrência da ausência de informação, muitos perdem a oportunidade de oferecer a liberdade, muitas vezes de viver, aos donatários , pois, segundo Paulo Freire, “As pessoas se libertam em comunhão”.

Ademais, o simples egoísmo por parte do cidadão tem como conseguinte o empecilho quando se trata da transfusão de sangue. Segundo Arthur Schopenhauer, “O egoísmo é o motor fundamental do ser humano”, fato observável , pois, segundo dados colhidos, quando a doação era remunerada no Brasil, muitos concessores omitiam informações e ,dessa forma, colocavam a própria saúde e a dos donatários em risco através de desregulados retornos ao hemocentro. Por essa razão, o Ministério da Saúde iniciou um programa de qualidade do sangue que proibe o pagamento para coletas e ,em decorrência disso, as dificuldades tornam-se maiores - enquanto os incentivos menores - para quem pretende ajudar de forma correta.

Torna-se evidente , portanto, que a ausência de incentivo e o individualismo exercem funções inerciais para a doação de sangue no território nacional. Em razão disso, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia - canais abertos, rádios e jornais - deve organizar campanhas de incentivo para a transfusão sanguínea a fim de munir a população de informações sobre o assunto e aumentar o número de presentes nos hemocentros. Outrossim, o Ministério da Educação , aliado a pedagogos e profissionais da área da saúde, deve organizar e executar palestras  em escolas públicas e privadas com o intuito de demonstrar, desde a base da sociedade, a importância do ato para a vida dos donatários. Dessa forma, é possível sair do estado inercial através da força aplicada pelo incentivo e educação a partir do pilar social - crianças e jovens.