Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

O cidadão brasileiro é conhecido internacionalmente por sua solidariedade para com o outro, porém, no que se refere a doações de sangue para seus conterrâneos, falta empatia. Isso se confirma com o déficit de 1,2% nos números mínimos de coleta esperados pela ONU, confirmando assim a necessidade de ação governamental visando transpor os obstáculos que se impõe ao aumento de doadores e, com isso, o atendimento da alta demanda que existe no Brasil.

Em um primeiro plano, deve-se compreender que algumas das barreiras para o crescimento do número de doações de sangue no país são impostas pelo próprio Estado, dentre elas a norma que impede homossexuais que não se encontram em abstinência por ao menos doze meses de serem doadores. Essa medida, fruto de estigma social, impede que milhares de litros de sangue cheguem aos que precisam e se torna incoerente em vista de sua motivação que é minimizar riscos de infecção, pois a triagem anterior e os exames posteriores a doação poderiam facilmente excluir essa transmissão de agentes infecciosos.

Ademais, outra problemática relacionada à quantidade insuficiente de doadores voluntários de sangue é a falta de informação acerca do processo, bem como a ausência de incentivo a essa ação de solidariedade. Segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador do HemoRio (Hemocentro do Rio de Janeiro), muitas pessoas não confiam na segurança do procedimento, que uma vez doador o ato passa a ser obrigatório, dentre outros mitos.

É preciso, portanto, que o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, invista em campanhas radiotelevisivas e na internet que mostrem todo o processo envolvido na doação de sangue visando desmistificá-lo e informar possíveis doadores e, ao mesmo tempo, incentivá-los. Simultaneamente, é necessário que a Anvisa flexibilize a norma relativa a doações por homossexuais mediante apresentação de  exames recentes que comprovem a não existência de patógenos, garantindo segurança.