Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 27/08/2018

Durante a II Guerra Mundial surgiram várias campanhas de incentivo à doação de sangue visando atender soldados e feridos acarretando em uma intensa mobilização social. Hodiernamente, apesar do crescente aumento no número de doadores, ale ainda não é suficiente para atingir a meta estimulada pela Organização Mundial da Saúde, o que simboliza um entrave a ser superado pela nação verde-amarela. Isso se evidencia não só pelo individualismo preponderante, como também pela escassa abrangência do assunto.

Mormente, é válido salientar sobre as fragéis relações interpessoais vigentes na sociedade moderna que corroboram para o pouco número de doadores à medida que predomina a crença de que um simples gesto não trará resultados significativos. Na Suécia, a fim de reverter essa situação e abastecer os hemocentros, foi feita uma iniciativa estatal no qual o doador é avisado através de uma mensagem de texto quando seu sangue é usado para salvar uma vida. Tal medida já se mostrou eficaz na sensibilização do público e, adaptada ao contexto brasileiro, poderia contribuir para mais doações.

Outro aspecto a ser considerado representa a falha difusão do conhecimento sobre a questão. Nesse âmbito, há a persistência de estigmas sociais que impedem, muitas vezes, os indivíduos de doarem. Por exemplo, é comum a ideia de que durante a coleta é passível a contaminação por doenças infecciosas ou, ainda, ao realizarem a ação uma vez terão que fazer isso sempre. Na concepção do sociólogo Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Sob tal ótica, faz-se necessário a desmitificação do assunto para que os cidadãos tornem-se mais solidários e façam a diferença com esse gesto humanitário.

Impende, portanto, que a doação de sangue apresenta-se como um empecilho que precisa ser superado. Para isso, é pertinente a atuação do Ministério da Saúde na criação de medidas como a da Suécia, contando com a participação da Mídia e das tecnologias informacionais, com o fito de estimular doadores. Ademais, as Organizações não Governamentais (ONG’s) devem investir em campanhas socioeducativas que desmitifiquem o assunto por meio do apoio de veículos comunicativos e de médicos especializados no intuito de que o procedimento seja esclarecido e ninguém possua o receio de doar. Espera-se que, destarte, a meta da OMS possa ser alcançada.