Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

O Brasil, atualmente, não enfrenta sérios problemas relacionados à doação de sangue. Contudo, o envelhecimento da população e o aumento da complexidade da medicina exigem que essa seja intensificada. Nesse sentido, os principais fatores que comprometem esse processo são: a falta de uma herança cultural de doação de sangue, a reverberação de mitos acerca dos possíveis impactos sobre o doador e os entraves gerados por barreiras jurídicas excludentes.

Em primeira análise, cabe pontuar que o número de doações atual consegue suprir a demanda dos hospitais do país, entretanto, esta vem crescendo, o que não se evidencia no índice de doadores. Nesse ínterim, o fato de o povo brasileiro não ter vivenciado nenhuma grande guerra ou catástrofe natural de abrangência nacional foi concomitante para não formação de uma consciência a respeito da importância da doação de sangue como um ato social. Prova disso é que, de acordo dados da ONU, os brasileiros doam proporcionalmente menos do que os vizinhos da América Latina. Desse modo, torna-se claro que essa pauta tem de ser tratada com maior veemência, sobretudo, nas escolas.

Ligado a isso, é indubitável que o setor de saúde ainda peca no que concerne a elucidação sobre a forma como ocorre a coleta e seus efeitos sobre doador. Comprova-se isso, quando analisamos um panorama no qual - mesmo havendo a veiculação de informações sobre o assunto nas mídias televisivas - persistem os mitos referentes aos supostos impactos negativos que podem acometer os doadores. Em vista disso, muitas pessoas com potencial para doação não a fazem por medo.

Outrossim, a continuidade de normas que dificultam a doação de sangue por homens homossexuais não só revela a permanência de um preconceito velado, bem como torna-se um entrave para que haja um crescimento exponencial dos estoques de sangue. Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver esse impasse.

Entende-se, portanto, que o contorno dos obstáculos na doação de sangue deve se basear na mudança da mentalidade popular relativa ao tema e na revisão das restrições normativas. Assim sendo, urge que o Ministério da Saúde (MS), juntamente às ONGs, atuem na promoção de campanhas de esclarecimento, distribuindo panfletos e divulgando, amplamente, nas redes sociais, informações que estejam relacionadas às frequentes dúvidas dos cidadãos sobre a temática, com o fito de acabar com o temor desses. Ademais, o MS, ainda, deve rever as medidas que restringem a doação por certos grupos, fazendo avaliações mais profundadas sobre a questão. Por fim, é mister que as escolas tratem do assunto em sala de aula, para que, desde cedo, se crie discernimento sobre quão importante é a doação para que, desse jeito, a prática fique enraizada na sociedade.