Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 05/09/2018
fiz sobre As dificuldades para o aumento da doação de órgãos no Brasil
Comemora-se, no dia 27 de Setembro, o Dia Nacional da Doação de Orgãos. Entretanto, apesar de ter essa data como destaque, nos outros dias, esse tema é pouco discutido no Brasil. Desse modo, embora o país tenha registrado, no ano de 2017, um recorde de doadores de orgãos, a falta de conhecimento da sociedade, além da má estrutura dos hospitais na hora de oferecer apoio e informações aos familiares que perderam um ente querido - apto a ser um doador - ainda são empecilhos na hora de salvar vidas. Nesse sentido, faz-se necessário discutir sobre a doação de orgãos e seus desafios, a fim de esclarecer a toda população sobre a urgência do assunto. De acordo com as pesquisas do Jornal G1, o Globo, a recusa das famílias em autorizar os transplantes é cerca de 43%. Por esse motivo, hodiernamente, mais de 25.000 pessoas aguardam por um rim, e mais de 11.000, por uma córnea. Dados como esse são comuns no Brasil e se ratificam por milhares de motivos, tendo como o principal: a ignorância ao tema. Uma ilustração disso é, portanto, o fato de todo o paciente com morte encefálica caracterizar-se como um caso irreversível e, portanto, ser um potencial doador. No entanto, apesar de ser comprovado cientificamente, muitos familiares, por causas externas - como fé e religião - não acreditam, ou, até mesmo, nem têm o conhecimento sobre o assunto. Outra questão relevante, nesse debate, é o fato de os hospitais brasileiros, em sua maioria, não possuírem uma equipe de coordenadores e psicólogos direcionada ao tema. Vale ressaltar, também, a distribuição desequilibrada da rede de saúde no país, a qual concentra-se no Sul e Sudeste. Portanto, todos os dilemas e conflitos éticos sofridos pela família - que é a responsável pela decisão do destino final dos órgãos - são engrossados quando, na hora da dor, inaceitação da morte e desconhecimento científico do assunto, recebem a notícia por médicos pouco humanizados. Por conseguinte, observa-se que por a população não receber uma educação relativa à doação de órgãos, nem infraestrutura hospitalar adequada, esta é uma ação que ainda não está sedimentada na sociedade. É determinante, então, que o Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Educação, promova a incorporação dessa temática, por meio dos conteúdos curriculares dos diversos níveis de ensino, a fim de, gradativamente, desconstruir esse cenário de ignorância ao tema. Ainda, visto que motivação não é o suficiente, o Estado deve fornecer verba a fim de estruturar o SUS e montar equipes humanizadas de psicólogos e gerentes exclusivos ao tema.