Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

Os impactos promovidos por uma simples falta de doação

A doação de sangue constitui, no Brasil, em um ato solidário e, como constata o escritor Franz Kafka:“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.“No entanto, nota-se que essa atitude não é tão comum no país e conflitua com o princípio da igualdade civil da Constituição, haja vista que o preconceito interfere nessa realidade. Nesse contexto, pode-se afirmar que esse cenário relaciona-se não só a diversos empecilhos os quais dificultam sua mudança, mas também a temores enfrentados pela saúde pública.

Historicamente, a doação sanguínea esteve muito ligada a uma possibilidade para se obter uma renda extra, visto que tal ato, no Brasil, promovia uma remuneração ao doador. Todavia, no início do século XX, essa conjuntura se modificou, passando, portanto, a ser sem gratificação. Assim, esse fator, o qual desmotivou o número de doações, e tanto outros, a saber: passividade governamental, perpetuação de mitos e preconceitos e a falta de conscientização, contribui para uma realidade na qual menos de 3% são doadores regulares, segundo o Ministério da Saúde. Dessarte, esse cenário reflete um perfil que vem se perpetuando: a população apta a esse processo solidário realiza ainda um pequeno esforço, ou quase nenhum, para auxiliar a saúde pública da nação e, por conseguinte, o seu semelhante.

Sob esse viés, essa vergonhosa situação brasileira ecoa principalmente no âmbito que mais anseia pela doação de sangue: os hospitais. Logo, o baixo número desse tipo de atitude acarreta o adiamento de vários tratamentos e cirurgias. Ademais, essa realidade promove instabilidade no setor de saúde pública, uma vez que caso ocorra um acidente em larga escala no país, como já ocorreu no Japão e Haiti, a disponibilidade de sangue se tornará um impasse no auxílio de uma população desamparada. Desse modo, nota-se a importância social da resolução dessa problemática.

Sendo assim, o número de doadores sanguíneos ainda se encontra insuficiente para um país que possui uma das maiores populações do mundo. Dessa maneira, torna-se necessário, por parte do MEC e das Secretarias de Educação, o desenvolvimento de uma educação que trabalhe esse tema em sala de aula, podendo ser obtido por meio da implementação de palestras fiscalizadas por docentes qualificados no assunto, a fim de desenvolver mentes conscientes. Por fim, é interessante que o Ministério da Saúde promova um maior aumento de recursos publicitários nos municípios brasileiros por meio dos diversos meios de comunicação e propaganda, desenvolvidos por equipes competentes, com o propósito de tornar os cidadãos mais elucidados. Então, espera-se uma população mais empática e informada.