Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

Historicamente, os experimentos com o uso de sangue para curar doenças vêm desde a pré-história, prosseguindo nos meados do século XVII, com as primeiras transfusões sanguíneas. Nesse parâmetro, no Brasil, o sistema transfusional impulsionou-se na década de 40 com doações remuneradas e, posteriormente, voluntárias. É notório que embora a demanda aumente, a deficiência estrutural do sistema de saúde e a herança cultural brasileira corroboram o entrave das doações sanguíneas.

A priori, vale ressaltar, que embora as transfusões de sangue voluntárias, no Brasil, ultrapassem países, como Venezuela, Rússia, África do Sul, e México, elas estão aquém de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e grande parte de países europeus, segundo estudo do IBGE. Nesse ínterim, entende-se que não basta elevar o número de doações, sem aumentar a eficiência do produto e seu acondicionamento, controle de qualidade e coleta e criação de mais agências transfusionais.

Outrossim, é primordial acrescentar que a herança cultural brasileira constitui-se para os impasses na hemoterapia, a saber, o estigma que permeia, a falta de política de conscientização desde a tenra idade, e as normas e proibições discriminatórias impostas. Nesse contexto, é indubitável que num país em que pouco menos de 4 milhões são doadores, cerca de 1,9%  da população, de acordo a Organização Mundial de Saúde, são propícias as palavras de Theodore Roosevelt, em que as pessoas façam o que puder, com o que têm.

Diante do que  foi supracitado, é mister que o Poder Público invista na criação de “Agências Transfusionais”, em unidades móveis de coleta, na locomoção do doador ao centro de doação e, sobretudo no controle de qualidade e de acondicionamento do sangue, no intuito de minimizar a deficiência de hemotransfusão. Concomitantemente, governos, em parcerias com instituições educacionais e empresas filantrópicas, invistam em campanhas de incentivos e discussões nas escolas, a fim de captar e formar doadores com responsabilidade social e sanar os empecilhos.